Repressão ou frigidez feminina?

São facilmente confundidas e mal associadas. Saiba porquê.

Infelizmente o sexo continua a ser assunto non grato, apesar de se achar que se fala muito dele. Isto é, a sociedade está um pouco mais aberta às questões sexuais, mas o que é certo é que a educação sexual ainda não se faz sentir e aos adolescentes ainda falta fazer-se a abordagem correta. O problema é que uma grande parte dos pais não se sente confortável para falar abertamente sobre a questão ou tem uma mente mais fechada, o que consequentemente poderá estar a criar e educar jovens adultos muito promíscuos ou reprimidos.

Quer a frigidez ou a repressão caraterizam-se por uma mulher não conseguir ter prazer nem desejo numa relação sexual, mas é importante distinguir as mesmas, até porque a primeira incide mais sobre fatores orgânicos e emocionais e a segunda por fatores culturais e sociais (ainda que esta possa levar, em casos mais extremos, à frigidez, uma vez que começa a afetar a parte emocional).
A frigidez, ao nível orgânico, incide diretamente sobre doenças nos genitais, tais como vulvite (infeção na vulva) e vulvovaginite (infeção na vulva e vagina), ou indiretamente como por exemplo, transtornos psiquiátricos, uso de alguns medicamentos (antidepressivos e outros) e hiperprolactinemia (aumento da produção de hormona que é responsável pela produção de leite). Na senda, os fatores emocionais dizem respeito a traumas vividos ao longo da vida: abuso sexual, violência ou estupro. Não obstante, a falta de comunicação e intimidade entre o casal, conflitos conjugais, falta de amor pelo parceiro, entre outros, podem levar a alguma frigidez.

Por outro lado, temos a repressão que tende a iniciar quando as mulheres ainda são crianças ou jovens. Carateriza-se pela falta de educação e orientação sexual, da repressão social que existe em torno da sexualidade da mulher, o medo de engravidar, um estímulo sexual inadequado, etc... A sociedade ainda encara que as mulheres que falam abertamente sobre sexo são mais promiscuas e não são aceites de igual forma. Ainda são muitas as adolescentes que têm dúvidas e questões acerca da mudança corporal própria da idade, da menstruação, da masturbação e outros e que crescem a aprender com o que veem e leem na internet ou revistas e a namorar. Ora, a experiência é normal não terem, mas se não tiverem quem lhes elucide acerca do que se passa, será que deve ser o namorado adolescente a fazer? Ou alguém cuja formação seja duvidosa? Mas não só este fechar de olhos é prejudicial... incutir sentimentos de culpa e vergonha, ou seja, considerar e passar que a sexualidade é algo indigno para ser exteriorizado, inadequado, é tão ou mais perigoso que a primeira. Em casos extremos, pode levar a uma frigidez futura. Está-se a educar uma mulher para se controlar e viver reprimida, anulando todo o seu instinto e sexualidade.

Cada mulher tem de aprender a conhecer o seu corpo, o que deseja e o que quer fazer com ele. O que se deve incutir é que deve ter respeito pelo mesmo e elucidar acerca de questões que fazem parte de ser mulher.

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