A culpa tem aliados

Como enfrentar situações em que não agiu da maneira mais correcta

É transversal a todas as personalidades e não há ninguém que não tenha sido confrontado com ele numa ou noutra fase da sua vida.

O sentimento de culpa surge
normalmente quando tentamos
evitar alguma situação e recorremos a meios que depois não nos deixam em paz com a nossa consciência. Mas também pode surgir numa fase posterior.

Pode manifestar-se só já numa fase em que tentamos pôr paninhos quentes depois de comportamentos menos abonatórios. Aprenda a lidar com diferentes situações em que este sentimento nos toma de assalto.

Sente-se culpado quando tenta evitar alguma coisa

Pode não querer que as pessoas se
zanguem consigo ou não querer
desiludir alguém, sobretudo se estiverem em causa os sentimentos da pessoa amada. Para eliminar
esse sentimento, experimente
perguntar a si própria o que quer
ou não quer. Quando souber, pode
começar a pensar em soluções
e não ficar concentrada no que
deveria ter feito e não fez. Se sentir necessidade disso, fale abertamente com o seu companheiro(a). O diálogo entre o casal continua a ser uma arma muito poderosa.

Reagir a uma situação em vez de encontrar a resposta

Quantas vezes deu por si a pensar
«não devia ter feito aquilo» ou «a
culpa é minha», nomeadamente em relação a situações de confronto ou de divergência do casal? Aproveite esse
sentimento de culpa para definir
prioridades na sua vida e para
introduzir mudanças positivas. Mais uma vez, uma conversa aberta, franca e sincera pode ser um excelente ponto de partida para clarificar situações. É, contudo, importante que, no decurso desse diálogo, se evitem novos confrontos e fragmentações.

Não se desculpar

Um aspecto importante da culpa
diz respeito à incapacidade de se
desculpar pelos erros que cometeu
ou situações que aconteceram
no passado. Todos cometemos
erros. É isso que nos torna humanos
e só assim conseguimos aprender
e evoluir. Apesar da situação
parecer horrível, mais tarde irá
perceber que tirou benefícios
dessa experiência.

O mundo devia ser de certa
forma

Esta é uma das grandes causas
do sentimento de culpa. Ficar
presa ao deveria ser torna tudo
muito mais difícil. Sempre que der
por si a dizer «devia» trave esse
pensamento. Este é meio caminho
andado para sentir culpa. Ao
deixar de pensar e usar essa
palavra vai começar a sentir-se
muito melhor. E o mesmo se passa em relação aos que a rodeiam. As pessoas são como são e não como gostaria que elas fossem. Aprenda a aceitá-las e a adaptar-se a modos de viver e de pensar diferentes do seu, se for caso de disso. Mas não (re)negue a sua essência!

Sentir ansiedade e medo

Pensar no que pode
eventualmente acontecer ou
em situações que lhe causam
ansiedade faz com que deixe de
ser racional. Se estiver consciente
desta situação torna-se muito
mais fácil deixar de pensar «e
se...», pois o seu foco deixa de
estar concentrado nos problemas. Deixe de antecipar cenários e de fazer filmes com relacionamentos e hipóteses que podem não passar disso mesmo. Os ciúmes são benéficos para as relações mas, em demasia, acabam por tornar-se asfixiantes.


Veja na página seguinte: Dicas para combater o sentimento de culpa

DICAS PARA COMBATER A CULPA

«Ele está a afastar-se de mim»

Se sente que a vida pessoal ou profissional está a colocar
a sua relação em risco, experimente programar
um fim-de-semana romântico.

«Combinem
com um casal amigo, que também tenha
filhos, e peçam-lhe para deixar as suas crianças
com eles. Por certo vai ser um fim-de-semana
diferente para todos e uma forma de
quebrar a rotina», sugere o psicólogo Joaquim Quintino Aires. Podem inverter os papéis
no fim-de-semana seguinte.

«Não era hoje que ias voltar ao ginásio?»

Se está inscrita no ginásio há vários meses
mas não gosta de fazer exercício físico e arranja
uma nova desculpa todos os dias para
escapar à aula de step e ele(a) está sempre a implicar consigo por causa disso, experimente marcar
uma consulta com uma nutricionista. «Se o
objectivo é perder peso pode consultar uma
especialista para conseguir resultados mais
eficazes», diz Joaquim Quintino Aires. Traçar
um plano personalizado pode ajudá-la a definir
objectivos e caminhar 30 minutos pela
praia ou no jardim pode substituir as sessões
de ginásio.

«A mãe nunca tem tempo»

Se aquela promoção que anda a perseguir há
vários meses a obriga a fazer horas extraordinárias
e se chega a casa quando os seus filhos
já estão a dormir experimente descobrir qual
a actividade de que eles mais gostam. «Estabeleça
prioridades no seu trabalho para gerir
melhor o seu tempo. Inscreva o seu filho na
actividade de que ele mais gosta e, uma vez
por semana, faça um esforço para levá-lo aos
treinos», sugere o psicólogo.

«O que eu não dava por uma massagem»

Se passa a vida a adiar a tal massagem que
tanto precisava para descontrair ou a ida à tal galeria de que ele(a) lhe tinha falado, marque um
dia na sua agenda e não aceite desculpas para
desmarcar a sessão. «Saboreie o tempo que
tirou para si ou, se preferir, convide uma amiga
que tenha o mesmo problema», aconselha o especialista.
«Relembrem os tempos de adolescente em
que não tinham preocupações», recomenda ainda.

Texto: Sónia Ramalho com Joaquim Quintino Aires (psicólogo)

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