Opinião: Welcome a 2017

Assim. Vestido preto. Salto alto e cabelo arranjado. O espelho sorri. Espera que sorria de volta. Assim. A casa arrumada, recebe amigos e coloca-os a falar com “3 Podas”. Imagino. O meu silêncio não se altera, nada mudou desde ontem ou antes disso. Os mesmos animais, os livros alinhados, a árvore de natal composta e o terraço por arranjar. Um artigo de opinião de Sara Santos.

De casa cheia para receber janeiro. A Indie aproveita para ladrar às prestações, não querendo esgotar os latidos.

- Indie! Nem hoje!

Os vizinhos soltam gargalhadas.

- Um brinde.

Aos presentes e aos ausentes, ao novo ano, à felicidade. Não importa.

O brinde é a forma de nos sabermos juntos. Unidos por um copo meio cheio. Não meio vazio.

Há cinco anos chovia torrencialmente em Peniche. Pouco importava. Corríamos na praia de festa em festa. A Carina acompanhava-me, na corrida e na embriaguez. Sempre conscientes. Antes que chegássemos aos restantes membros do grupo, começou a contagem. Os 10 segundos mágicos que abrem as portas à expectativa. O som de um fogo-de-artifício ao fundo, a chuva no rosto e os nossos sorrisos. Sabíamos então. Sabemos agora.

10. Amanhã começa. Não diferente de outros dias, mas começa. Não mudamos em dez segundos, ainda me reconheço. Não engordei, bom… talvez um pouco.

A minha mente entra em êxtase com as novas possibilidades. Não é só um mês que acaba. É o encerrar de maus encontros, de maus empregos, de favores e sofrimento.

9. Concentro-me em todas as aspirações para 2017. Tanta esperança concentrada por segundo. Gostaria de viajar, de ficar em forma, de dar vida aos novos projectos que se avizinham. Com sucesso.

8. Olho em volta. Estou com aqueles que gosto. Menos do que gostaria. 2017 poderá aproximar-me deles. Criar tempo de qualidade com quem nos estima.

7. Tento desprender-me do peso morto deste ano, enfiando as famosas passas na boca para pedir os meus doze desejos.

6. Está na hora de organizar as passas.

5. Gostaria de conseguir ter doze desejos. O que me torna algo desinteressante. Ao chegar ao sexto já não tenho ideias. Fico com jeitos de uma miss mundo: “paz no mundo”, “saúde”, “o fim das guerras e atentados”. Ainda não provocou efeito.

4. Sinto-me com sorte e grito. Palavra de honra. O Luís deu sentido a um ano sentido.

3. Espero que a minha mãe volte a Portugal, que os meus sobrinhos brinquem na rua, comigo a rir. Que a minha irmã me abrace outra vez. E os meus irmãos saibam mais da felicidade caseira. Que este casal continue a provar que o amor existe, contra todas as expectativas.

2. Mesmo no fim, lembro o meu pai. Que não está por cá, mas que teimava em pedir prémios de cautelas nesta época. Provocando o riso desta miúda.

1. Ainda bem que voltaste. Feliz ano novo!

Por Sara Santos

welcomeaborges.pt

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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