João Pires: “o champanhe vai bem com tudo”

É um dos sommeliers mais requisitados do mundo, disputado por grandes figuras da gastronomia, como Gordon Ramsay e Heston Blumenthal. De passagem por Lisboa antes de embarcar numa nova aventura profissional, João Pires orientou uma masterclass de champanhe e falou-nos sobre esta bebida tão apreciada na época mais festiva do ano.

Antes de dar início à Masterclass Champanhe do Wine Club Portugal, João Pires, o sommelier mais disputado por reconhecidos chefes de cozinha internacionais deu-nos alguns esclarecimentos sobre um dos vinhos mais apreciados do mundo.

- Podemos comparar o verdadeiro Champagne francês com espumantes nossos e de outros locais do mundo?

- O Champagne vem da região do mesmo nome em França. A qualidade não tem nada a ver de estar em França ou não. Obviamente que o nome é mais reconhecido no mundo do que o espumante português ou espanhol ou norte-americano. Mas há espumantes de enorme qualidade como há champanhes maus.

- O que os distingue, para além do nome e de serem produzidos pelo mesmo método, é o preço?

- O champanhe é caro. Como os bons espumantes também são caros. Em França, tem fundamentalmente a ver com o preço das uvas. Para ter ideia, para começar a fazer champanhe já tem de ter no mínimo 7 a 8 euros e ainda não fez nada, só tem as uvas. A seguir tem as pelagens, o engarrafamento, aquele processo todo. É muito caro.

- Como se deve beber: na taça, na flute ou noutro copo?

- Eu não gosto da taça. Depende do tipo de champanhe. Os flutes são ótimos, eu gosto mais de beber num copo de vinho normal. Se forem champanhes antigos que já perderam o gás, é mesmo num copo de vinho. Estamos a falar de champanhes muito antigos, que não deixam de ser excelentes, têm é pouca bolha.

- Qual é a longevidade do champanhe, até quando o podemos beber?

- Não podemos generalizar. Há casas com champanhes com 20, 30 ou 40 anos ótimos e outras que com 10 anos já não prestam. É como os vinhos.

- Fale-nos um pouco das castas próprias do champanhe. A Chardonnay é a principal casta?

- Há três: Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier. A Chardonnay é a única branca, as outras são tintas.

- Às castas tintas é-lhes retirada a casca?

- Não retiram a casca. Fazem é prensagens muito suaves, a película não parte. Como a cor está na pele, o champanhe sai branco. Mas no gosto pode-se sentir isto. Se houver uma predominância de castas tintas, o champanhe tem mais estrutura, é maravilhoso.

- E essas castas podem ser plantadas noutros locais?

- No mundo inteiro. Mas também há espumantes com outras castas sem Chardonnay, e muitos bons.

Continue a ler a entrevista na próxima página

Comentários