As mulheres de Marcelo Rebelo de Sousa

As figuras femininas que mais marcaram o professor e comentador televisivo, o quinto Presidente da República portuguesa após o 25 de Abril de 1974 numas eleições ganhas logo à primeira volta

Foi literalmente, desde pequeno, o menino da mamã. «Aliás sempre fui o filhinho protegido da minha mãe», reconhece Marcelo Rebelo de Sousa na sua biografia. No livro, publicado pela editora A Esfera dos Livros em 2012, o jornalista Vítor Matos, autor da obra, escreve que o professor catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa «teve sempre uma relação especial com as mulheres, talvez fruto do peso da mãe na sua educação».

Maria das Neves Fernandes Duarte esteve, no entanto, longe de ser a única mulher na vida do que foi, durante anos, o comentador mais popular do país, antes de ser eleito, a 24 de janeiro de 2016, o quinto Presidente da República portuguesa após o 25 de Abril de 1974 numas eleições que venceu à primeira volta. Teve a primeira namorada aos 12 anos e, aos 17, era considerado por muitos dos que o rodeavam um autêntico pinga-amor.

Algumas das suas professoras também o marcaram e influenciaram. Saiba quem são as figuras femininas que mais marcaram o homem que não dispensa diariamente um banho no mar e que, antes de começar a trabalhar como jurista, chegou a fazer novelas radiofónicas na Emissora Nacional, com a atriz Ana Zannati, para ganhar dinheiro.

A mãe

Maria das Neves Fernandes Duarte, mãe de Marcelo Rebelo de Sousa, teve uma grande influência na vida do ex-dirigente político. Mulher de vida difícil, nasce orfã de pai na Covilhã e fica imediatamente órfã de mãe também. A progenitora, que já tinha tido o desgosto de perder uma filha, morre no parto. Fica aos cuidados da avó materna, que morre cerca de seis meses depois.

É acolhida por um tio com o título eclesiástico de monsenhor, pároco de Santos, em Lisboa. António Fernandes Duarte, homem de culto amigo do cardeal António Cerejeira, envia-a para o Instituto de Odivelas, que pode frequentar por ser filha de um militar. «Eu saio à minha mãe, aliás sempre fui o filhinho protegido da minha mãe, enquanto os meus irmãos eram mais do meu pai», reconhece o comentador.

A progenitora começou a sentir as dores de parto que antecederam o seu nascimento num dia de dezembro de 1948, depois de sair do Instituto Aurélio da Costa Ferreira, onde trabalhava como assistente social e onde o futuro jurista a chega a acompanhar. «Não tinham criadas mem ama, portanto, Marcelo ia com a mãe para o trabalho, mesmo para os bairros mais pobres de Lisboa», refere Vítor Matos.

A vida ao lado de Baltazar Leite Rebelo de Sousa, com quem começou a namorar aos 21 anos, nem sempre foi fácil. Apesar das suas origens abastadas, a situação económica do casal não era propriamente desafogada. «Viviam com as dificuldades normais de uma classe média promissora, ligada ao regime», sublinha o jornalista. No entanto, acabaria por ser num ambiente de fausto e requinte, marcado por viagens de luxo e festas de elites, que o professor catedrático seria criado.

A primeira namorada

Isabel Coelho Alves foi a primeira namorada de Marcelo Rebelo de Sousa. O professor tinha 12 anos. Irmã de Carlos Alves, neto do medico Eduardo Coelho, que operou Salazar após a queda da cadeira que o afastou dos destinos do país, não resistiu ao «Queres namorar comigo?» que o jurista lhe lançou, de raquete na mão, na Escola de Ténis do Estoril, durante as aulas do pai de João Lagos, que viria a ser o rosto da organização do Estoril Open.

As ondas do mar da praia do Estoril assistiram aos passeios de gaivota que por lá davam. Falavam horas e horas ao telefone, um comportamento de dependência que chegava a incomodar a família. «O namoro é inocente», descreve Vítor Matos no livro. «O namoro é um cândido estremecimento de verão que começa e acaba com os calores dos Estoril e que dura até cerca dos 14 anos», refere ainda o jornalista de política da revista Sábado.

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