Sandra Silva: de socióloga a pasteleira

Os seus bolos são obras de arte

Tem 42 anos, é licenciada em sociologia e teve uma carreira profissional que interrompeu há 13 anos para ser mãe a tempo inteiro. Agora, que a filha já é crescida e vai precisando cada vez menos da sua atenção, Sandra Silva lançou mão de um negócio que está a enchê-la de prazer: faz bolos por encomenda com a sua melhor amiga para todo o tipo de eventos. E a criatividade é tanta que mais parecem obras de arte!

Trabalhar com a melhor amiga é bom?

É ótimo. Conhecemo-nos desde que nascemos, somos como irmãs... E tanto cozinhamos na minha casa como na casa da Sofia.

A empresa já tem nome?

Ainda não. Estamos a decidir.A empresa será criada dentro de pouco tempo.

Que tipo de bolos fazem?

Bolos de pasta americana, bolachas, cup cakes e cake pops, bolos de aniversário, de batizado e de casamento e todo o tipo de bolinhos em miniatura, e ainda temos uns bolinhos de noiva de três andares em miniatura que são muito bonitos.

Quem são os vossos clientes?

Os nossos clientes são variados. Desde clientes particulares, amigos com restaurantes que necessitam de sobremesas originais, ou outras casas de doçaria como chocolatarias ou pastelarias. Também estamos a ter outras propostas muito interessantes.

E, de repente, uma socióloga vira pasteleira...

Pois é… Infelizmente, em Portugal, não existem muitas saídas profissionais para os sociólogos e eu fui trabalhando noutras áreas, até a minha filha nascer. Nessa altura apeteceu-me mesmo ficar com ela e disfrutar de todo o seu desenvolvimento. Presentemente, e com a minha filha já com 13 anos, surgiu a ideia deste projeto com a minha amiga e fomos em frente.Ainda com a vantagemde não nos obrigar a ter horários rígidos que hoje em dia é mesmo uma necessidade, no caso da minha amiga com três filhos.

Assim podem conciliar as vossas disponibilidades com os compromissos familiares.

Temos muito mais tempo para apoiar os nossos filhos, trabalhamos numa área que gostamos e divertimo-nos imenso porque é um trabalho muito criativo. Todos os dias fazemos uma coisa diferente.

Estão sempre a inventar?

Sempre. Dá-nos o maior prazer produzir coisas novas e estamos sempre a perguntar a opinião uma da outra, e não fazemos nada em desacordo!

O vosso objetivo é ter um Atelier de Cozinha fora de casa para trabalharem à vontade?

Sem dúvida.  Mas não podemos dar um passo maior do que a perna. Cada coisa a seu tempo. Quando tivermos encomendas que justifiquem, não hesitaremos... Por enquanto ainda estamos a testar a aceitação dos nossos produtos nos consumidores.

Já gostavam de cozinhar?

A minha amiga sempre gostou muito, eu nem por isso. Mas este trabalho é tão criativo e gratificante que estou completamente apaixonada por esta arte.

Trabalham com ingredientes importados?

Não. Trabalhamos somente com produtos nacionais. Um dos materiais com que mais trabalhamos  é a denominada“pasta americana” (produto inventado no EUA) mas fabricado em Portugal. Esta pasta, por exemplo, é de excelente qualidade, tem um sabor bastante agradável e um aroma a limão, para além de existir numa enorme variedade de cores o que nos permite fazer trabalhos lindíssimos com ela.O que nós gostamos mais são as purpurinas que também são comestíveis, e dão um toque muito interessante ao trabalho final.

Estes bolos são muito caros?

Tentamos que sejam acessíveis mas gasta-se muito dinheiro porque a matéria prima é muito cara. Só nas duas últimas semanas já investimos um valor significativo. Temos de ter muitas cores para ir experimentando e estão sempre a aparecer novidades.

Onde se vendem estes materiais?

Em lojas específicas. Já há em Lisboa lojas que vendem exclusivamente matérias primas para bolos. E o mais curioso é que são os donos das lojas que nos dão dicas sobre o que devemos levar. As sugestões deles são preciosas.

Quando têm uma encomenda estão o dia inteiro na cozinha?

Até podemos estar se o trabalho assim o exigir. Depende da quantidade. Amanhã, por exemplo, vamos fazer uma cartola. É o nosso primeiro bolo de aniversário para homem.

Temos um catálogo onde as pessoas podem escolher, mas também aceitamos sugestões. Se um dia nos pedirem um avião estamos em condições de satisfazer qualquer pedido, desde a bolacha ao bolo de noiva. Aliás, quanto mais sofisticado e maior for o desafio, mais nós gostamos.

Os vossos filhos acham graça ao projeto?

Estão a adorar.  As mais velhas são muito criativas e estão sempre a dar ideias, o do meio dá a sua opinião e até o mais pequeno, de 7 anos, já quer ajudar. A minha filha já levou os bolos para a escola para oferecer às amigas e ficou muito satisfeita por toda a gente gostar.

Trabalhar com este entusiasmo deve ser muito estimulante. Os maridos também estão a gostar da vossa nova atividade?

O meu marido está muito entusiasmado. Agora, por graça, até me chama pasteleira!

Qual é o vosso maior sonho?

Que o nosso negócio seja um enorme sucesso. Adorávamos inaugurar um espaço original no centro de Lisboa decorado de forma a transmitir o conceito dos nossos produtos.

Não tem medo de algum dia se incompatibilizar com a sua melhor amiga por causa do negócio?

De maneira nenhuma. Conhecemo-nos muito bem, somos mesmo amigas e confiamos cegamente uma na outra. O nosso juramento mais solene é que nunca nos iremos zangar por causa disto!

As encomendas já estão a superar as vossas expectativas?

Sem dúvida, apesar de não termos feito nenhuma divulgação, nem em redes sociais. Só com o passa-palavra, temos tido encomendas quase todos os dias.

 

artigo do parceiro: Palmira Correia

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