Créditos: sabe a média das taxas de juro dos seus créditos?

A generalidade dos portugueses tem várias responsabilidades de crédito a seu cargo. De uma forma geral constatamos que a maioria sabe o valor da prestação que tem a pagamento e que já são poucos os que sabem no imediato quanto ainda têm em dívida e/ou o número de prestações em falta. Mas menos ainda são os portugueses que sabem dizer a taxa de juro dos seus créditos.

Se este é o seu caso, veja os quatro pontos que se seguem, pois poderão ajudar a ter as finanças pessoais mais equilibradas e até com aumento das suas poupanças.

1. Elaborar a lista dos créditos

Talvez seja uma surpresa, mas no Doutor Finanças temos encontrado várias pessoas que não sabem quantos créditos têm. Algumas pessoas esquecem-se que a Conta Ordenado é uma responsabilidade de crédito, que os créditos do cônjuge poderão constar nas minhas responsabilidades, ou que um cartão de cliente de uma loja pode estar associado a uma financeira.

Para ter a certeza de quais as responsabilidades que estão a seu cargo, o Doutor Finanças aconselha que retire o mapa Central de Responsabilidades de Crédito (CRC), no site do Banco de Portugal. Neste mapa terá todos os créditos, o montante em dívida, a prestação (se for fixa) e o prazo original e remanescente de vida do contrato de crédito.

2. Acrescentar uma coluna com a taxa de juro de cada crédito

Depois de ter feito a lista com os créditos que tem irá verificar que o mapa CRC não disponibiliza a taxa de juro de cada um deles. Neste sentido, aconselhamos que verifique os extratos bancários mais recentes e identifique a taxa de juro desse empréstimo.

Deverá ordenar a lista dos seus créditos começando naquele que tem a taxa mais elevada para a mais baixa (tipicamente o crédito habitação será o que tem a taxa mais baixa. Mas mesmo esta, em muitos casos, pode ser negociada para baixo). Atenção que deverá comprar realidades comparáveis, ou seja, comparar TAN’s com TAN’s ou TAEG’s com TAEG’s. Nunca compare uma TAN com uma TAEG porque uma TAN não inclui uma série de encargos que estão contemplados na TAEG.

 3. Calcular a média das taxas de juro

Para que os cálculos sejam mais fáceis de trabalhar, aconselhamos que faça a média das taxas de juro sem o crédito habitação, pois esta é muito mais baixa que os restantes créditos (os chamados créditos de curto prazo). Provavelmente chegará à conclusão que a média das taxas de juro que está a pagar é um valor acima dos 15% ou 16%. Não é difícil que isto aconteça, pois se tivermos cartões de crédito deveremos estar com taxas de juro acima dos 20%. O valor médio das taxas de juro dos créditos de curto prazo é o preço que está a pagar por esse nível de endividamento.

4. Comparar alternativas para poupar

Ainda há muitos portugueses que não conhecem a solução de crédito consolidado e alguns têm ideia erradas sobre este mecanismo de financiamento que poderá ajudar a poupar. Um crédito consolidado é um novo crédito, mas cuja finalidade é de liquidar os créditos já existentes. Ou seja, a ideia não é que se aumente o nível de endividamento. O propósito de um crédito consolidado é financiar no valor exato dos atuais créditos e assim poupar no seu orçamento familiar. Ao ter um crédito consolidado com uma taxa de juro inferior à média que calculou no passo anterior terá a garantia que pelo mesmo valor está a pagar menos.

É verdade que deverá ter em consideração que quanto maior for o prazo do crédito consolidado mais significativa será a redução mensal. O que sugerimos é que aproveite ao máximo esta poupança e que procure poupar uma parte de forma a liquidar antecipadamente o crédito consolidado. Desta forma, em vez de ter o consolidado por 10 anos, poderá, talvez, em quatro ou cinco anos libertar-se das suas dívidas.

João Raposo

Doutor Finanças

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