Ana Paula Almeida, jornalista e escritora

"Escrever é um bálsamo, uma terapia, o meu momento zen", diz na altura em que publica o seu quarto romance

Depois de “O Comboio das Mulheres”, “Códigos de Silêncio” e “Sabes, Meu  Amor”, Ana Paula Almeida apresenta o seu quarto livro, “Corações Re-partidos”, um romance de amor, paixão, traição e morte.

Generosa, disponível, extrovertida, de trato simples e agradável, a autora entrou para a SIC há 21 anos, após 5 anos a lecionar, e quase dez na imprensa. “A minha carreira de jornalista a par com a possibilidade de poder ser, também, escritora, faz com que tudo valha a pena e cada dia de trabalho seja sempre um bom momento”, sublinha a jornalista.

Corações Re-partidos é o seu quarto romance?

Sim, um romance de amor, um quase policial, um livro sobretudo divertido, de amor, paixão, traição, morte... e vida para além da morte.

Depois de um dia inteiro a trabalhar como jornalista ainda tem disponibilidade para escrever em casa?

A disponibilidade é sempre muito pouca, depois de um dia  que começa às 7h e termina às 2h da manhã. Estou quase sempre muito cansada, depois do trabalho como repórter na SIC, depois do que tenho que fazer enquanto mãe de uma miúda de 11 anos e dona de casa a tempo inteiro... Contudo, escrever é um bálsamo, uma terapia, o meu momento zen, o meu tempo de qualidade. Só no silêncio consigo ter paz e inspiração para escrever e dar asas aos meus sonhos.

Como surge a ideia para um romance. Inspira-se em algo que leu ou que viveu?

A vida, o quotidiano, as pessoas que conheço, que entrevisto, de que ouvi falar, factos fora do comum, histórias invulgares, um olhar, algumas pessoas, alguns ambientes, tudo me pode inspirar, depende muito do momento, do local, da fase em que me encontro. Sou extrovertida mas também introspetiva e gosto muito de observar pessoas e situações que me marquem de alguma forma, pela positiva ou pela negativa.

Porquê a escolha de um trio amoroso no centro do seu novo romance? 

Um bígamo não assumido, um homem que trai e reparte o seu coração por mulheres que ficam com ele partido... A realidade e a ficção andam muitas vezes de mão dada!

Tem o fio da história todo na cabeça quando começa a escrever, ou a história corre ao sabor da sua imaginação?

Geralmente tenho a  narrativa delineada na minha cabeça mas, à medida que a vou escrevendo, e as personagens vão ganhando corpo e estrutura, às vezes mudo um pouco o rumo dos acontecimentos, mas, regra geral, não altero muito da história que quero contar.

Escreve compulsivamente pela noite fora, ou é disciplinada e segue um horário para a escrita? 

Adoraria ter um horário definido para poder escrever, viver da escrita, mas a vida não mo permite; tenho que ir levar e buscar a filha à escola, ao ballet, ir às compras, ir trabalhar, conciliar uma série de atividades que não me permitem estar diante da folha em branco horas a fio, a não ser à noite, quando as coisas estão arrumadas, o dia seguinte planificado e a família toda deitada.

Que balanço faz da sua experiência literária?

O balanço é, para já, positivo pois tenho escrito e publicado o que gosto e em géneros diferentes, não tenho dois livros parecidos... Os Códigos de Silêncio vão na 4ª edição.

Já tem o próximo romance a fervilhar na sua cabeça?

Sim, já tenho o próximo romance adiantado, estes "Corações Re-partidos" estavam prontos há algum tempo, guardados na gaveta, foi um amigo meu que trabalha no meio que me incentivou a mostrá-lo ao mundo. Escrevo por puro prazer, tento contar bem uma história, agora se o público gosta, nunca se sabe...

Qual foi o melhor elogio que lhe fizeram?

O melhor elogio talvez tenha sido que a minha escrita "agarra o leitor, prende a atenção, é muito direta e muito visual, que parece muito cinematográfica mas e também muito poética, com alguns momentos emocionantes e divertidos, e que quem me lê quase sempre se identifica com um momento ou uma personagem qualquer." 

Qual o melhor momento da sua vida profissional?

Ter entrado para a SIC, há 21 anos.

E pessoal?

Foi, sem dúvida, o dia 13 de maio em que me tornei mãe e passei a ver a vida e o mundo sob outra perspetiva, relativizando todos os problemas e estabelecendo novas metas e prioridades.

Qual é o seu maior sonho?

É ser feliz, com tudo o que isso implica, ter saúde, que a minha filha seja feliz e realizada a todos os níveis, ter trabalho, amar e ser amada, ter equilíbrio, paz, harmonia na minha vida, e que todos os que me rodeiam estejam igualmente bem. Ninguém é feliz sozinho!

Que idade tem a sua filha? Ela já leu o seu romance?

A Sara tem 11 anos, é óbvio que ainda é muito nova para ler o que eu escrevo, com excepção para "A Lua é toda tua", do livro anterior... mas está sempre muito curiosa e dá-me os parabéns quando alguém me felicita por este romance. E acha estranho que eu ainda escreva à mão, em resmas de papel branco, e depois passe os livros para computador.

Que programas fazem juntas ao fim de semana?

Gostamos de passear à beira-mar, de ir ao cinema e às compras.

Tem algum hobby?

Nunca tive tão pouco tempo livre como agora, mas sempre gostei de ler, de ir ao cinema e de viajar, esses são ultimamente os meus melhores hobbies.

O que lhe arranca uma gargalhada?

Alguns erros de português dados pelo meu companheiro, esloveno. Farto-me de rir quando ele diz que já vai "buscar-lo", "comer-lo", ou "onde está a minha pijama, a minha crema", etc. Acho imensa graça! Eu até podia corrigi-lo, mas depois não era a mesma coisa.

Cozinha para os seus amigos?

Quando posso sim,  e, embora não seja grande  "mestre" de cozinha, adoro cozinhar e receber amigos em casa.

Comove-se com facilidade? 

Sou super sensível, lamechas e comovo-me mesmo com muita facilidade, sou de lágrima fácil, especialmente se as situações envolverem crianças ou idosos... com a minha filha, então, quando a vejo dançar em palco, com algumas coisas que ela me diz, "derreto-me" toda. Também há determinadas músicas e cenas de filmes que me põem com "pele de galinha" e de olhos brilhantes e salgados...

A felicidade é o quê?

A felicidade é contentarmo-nos com o que temos, não exigirmos de mais à vida, sob o risco de estarmos permanentemente ansiosos, tristes, frustrados... há que aceitar as coisas como elas vêm, como elas são, creio que nada acontece por acaso, já sofri bastante e nunca perdi a fé nem o rumo. Se estabelecermos metas, objetivos exequíveis a médio prazo, cada passo é uma vitória, uma concretização, um sorriso! Estamos em crise de tudo, material e de valores, mas se gostarmos de nós como somos, se aceitarmos o que não podemos mudar trabalhando sempre em prol dos nossos sonhos, alguns vão-se realizando e ser feliz é ter saúde, trabalho, amor, é poder ter sonhos e ter com quem partilhá-los. 

Está bem com a vida?

Procuro estar sempre bem com a vida, ver sempre o copo meio cheio, porque estou tranquila, feliz, equilibrada, tenho pais, filha, companheiro, amigos com maiúscula e leais, alguns há mais de 30 anos, estou permanentemente apaixonada pela vida, que é um dom, uma dádiva e tão breve... 

artigo do parceiro: Palmira Correia

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