O que é que a ciência nos diz sobre a felicidade?

Vários estudos analisam o impacto da felicidade na vida das pessoas. Surpreenda-se com os resultados aferidos.

A gratidão permite uma gestão mais inteligente sobre os recursos financeiros

Num estudo publicado na revista Psychological Science, os investigadores perguntaram aos participantes sobre a quantia de dinheiro que estariam dispostos a abdicar de receber, no presente, a fim de receberem uma quantia maior no futuro – procurava-se medir a paciência em relação ao investimento financeiro e o auto controlo.

As pessoas mais gratas estavam dispostas a adiar a gratificação, no presente, comparativamente às pessoas menos gratas.

Este estudo também vem questionar algumas antigas crenças de que devemos controlar os nossos sentimentos, a fim de tomarmos decisões sensatas. Em vez disso, contar as nossas bênçãos, de uma forma consciente, poderá servir os nossos interesses económicos e financeiros a longo prazo.

É possível ensinar a gratidão às crianças com efeitos duradouros

Um dos maiores receios dos pais sobre o desenvolvimento dos filhos é que estes se venham a tornar adultos arrogantes, “mimados” e “convencidos”.

Um estudo publicado na revista School Psychology, desenvolvido por dois psicólogos, Jeffrey Froh e Giacomo Bonovisa, revelou resultados encorajadores sobre um programa que propunha ensinar a gratidão a alunos do ensino primário. Ao invés de haver palestras sobre a importância da gratidão, encoraja-se os alunos a refletirem sobre algo interessante que outra pessoa tenha feito para seu benefício e ajuda-los a compreender que um ato de simpatia/generosidade é idêntico a um “presente”.

Ao longo do programa os alunos refletiram sobre a importância do “presente”, sobre a atitude e as intenções das pessoas que entregavam o presente. Dezenas de estudos anteriores revelavam que a gratidão combate o sentimento egoísta e promove a felicidade. Todavia, somente um reduzido número de estudos examinaram os efeitos da gratidão nas crianças.

A variedade de sentimentos – positivas ou negativas – pode ser prenúncio de saúde e felicidade

Será o caminho para a felicidade ter mais sentimentos positivos e menos sentimentos negativos?  Investigadores de vários países e instituições diferentes, incluindo a Universidade de Yale e a Harvard Business School, mediram os sentimentos positivos e negativos dos participantes. Eis os sentimentos sujeitos a avaliação, pelos investigadores, divertimento, estima e gratidão (positivos) e raiva, ansiedade e tristeza (negativos). Eles não se limitaram somente a medir os níveis dos sentimentos, também mediram a variedade e a abundância que os investigadores designaram de «emodiversity».

O primeiro estudo, em França, revelou que a «emodiversity» está relacionada com menos níveis de depressão. Na verdade as pessoas com níveis elevados de «emodiversity » estão menos vulneráveis à depressão do que aquelas pessoas só com sentimentos positivos.

O segundo estudo, na Bélgica, os investigadores associaram a «emodiversity» a menos utilização de medicação, à redução dos custos associados à saúde, redução de consultas ao médico e redução dos dias de internamento no hospital. Também estabeleceram uma ligação da «emodiversity» a alimentação saudável, ao exercício físico e cuidados sobre o tabaco. Surpreendentemente, o efeito da «emodiversity» - diversidade de sentimentos era mais acentuado na saúde física do que os sentimentos positivos ou dos sentimentos negativos.

De acordo com o estudo, será mais saudável haver uma multiplicidade de sentimentos (positivos e negativos) do que somente sentimentos positivos ou sentimentos negativos isoladamente.

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