Desenvolvemos uma apetência para andar no fio da navalha

Durante a crise social e económica, despertamos para uma realidade que, a meu ver e apesar das consequências dramáticas, se revela transformadora das competências individuais e sociais.

A crise (medo) veio reforçar a necessidade de dependermos uns dos outros. Estamos mais abertos e disponíveis para os afetos. Fomos nós que criámos o problema, somos nós que procuramos a solução. Por exemplo, no dia a dia, nos meios da comunicação e redes soais, despertamos para o pesadelo da violência doméstica e da pobreza que afeta milhares de crianças portuguesas, por um lado, mas no extremo oposto contemplo fascinado o apoio incondicional de pessoas anónimas a causas solidárias e humanitárias, como o caso da criança, filha de pais portugueses, que nasceu prematura num hospital do Dubai.

Indubitavelmente, mais importante que a economia dos números, geralmente atribuída às recompensas, aos prémios e aos aplausos, é o “capital humano” que está na génese daquilo que somos, potencial resiliente assente nas nossas raízes ancestrais e na arte bem-viver, refiro-me em especial à literacia emocional/espiritual, sem dogmas ou divindades, na gestão do sofrimento, do medo e da dor.

Literacia emocional/espiritual

- Quais são os mecanismos que possuímos, para gerir os sentimentos, quando são confusos, desconhecidos ou dolorosos?

- Quais são os mecanismos que possuímos, para gerir as paixões quando ultrapassam a razão?

- Quando pensamos que a vida é uma comédia, mas depois, sentimos que afinal a vida é uma tragédia?

Tal como já referi, não é preciso possuir um doutoramento a fim de desenvolvermos o talento necessário a fim conseguirmos, com coragem, fazer uma gestão equilibrada e construtiva do sofrimento, do medo e da dor. Paradoxalmente, perante a crise atual, sentimos ansiedade porque aquilo que precisamos de saber fazer pode estar aquém das nossas capacidades. Todavia, a fim de evitarmos o aborrecimento gostamos de viver no fio da navalha (ordem e a desordem, no controlo e no descontrolo). Autonomia exige que sejamos responsáveis e talentosos na arte bem-viver.

Desenvolvimento pessoal

- Talento é o desejo de melhorar cada vez mais uma característica da personalidade que consideramos importante. Tornar-nos cada vez melhor em algo que pode ser aperfeiçoado, que exige espirito de sacrifício (do ego), reflexão e prática intensiva. Também aprendemos que para resolver os problemas complexos do devir precisamos de arriscar e reinventar soluções inovadoras.

- Talento exige uma atitude ousada e curiosa. Esta atitude desassossegada é em si própria a recompensa.

Quais são os seus talentos mais significativos? "Quem tiver talento, obterá o êxito na medida que lhe corresponda. Porém, apenas se persistir naquilo que faz." Isaac Asimov.

Por João Alexandre Rodrigues

Addiction Counselor

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