Vamos falar de... depressão

Quem nunca sentiu uma tristeza sem razão aparente, quem nunca teve um dia em que a energia faltou ou o pessimismo conquistou o espaço?

Pois é, é frequente visitamos os terrenos pantanosos que caracterizam a depressão, sem que necessariamente estejamos deprimidos. A depressão não é um estado transitório ou flutuante de humor negativo que consiga necessariamente ser vencido com a tão falada “força de vontade”. A depressão é uma doença que afeta 20% da população europeia e ainda não é devidamente compreendida socialmente.

Estar deprimido não é estar triste. É ter uma tristeza tão profunda que anestesia a capacidade de sentir. É não sentir nada, não conseguir vislumbrar o horizonte mesmo sabendo que ele está lá. É estar cego para tudo o que anteriormente constituía prazer ou satisfação. É estar perdido de si mesmo e, algumas vezes, do mundo que o rodeia.

A depressão é uma doença com origem em múltiplos factores, desde genéticos e biológicos a ambientais, o que constitui frequentemente uma dificuldade na assertividade do tratamento. A manifestação da doença tem especificidades relacionadas com as características de cada indivíduo, o que aumenta a complexidade do tratamento. Existem depressões com ansiedade e outras sem ansiedade. Existem depressões em que um dos sintomas é a insónia, enquanto que noutros casos o sintoma poderá ser o sono excessivo. O mesmo se passa com o apetite.

Alguns autores descrevem a depressão como a visão negativa do próprio, dos outros e do mundo. Como se de uns óculos escuros se tratasse, que deixasse menos iluminado tudo o que existe.

Também as crianças podem sofrer desta condição.  Nas crianças são valorizados sintomas como alterações de comportamento, dificuldades de aprendizagem, isolamento, diminuição da vontade de brincar ou queixas físicas que não advém de um problema físico.

A adolescência é uma altura especialmente delicada quando falamos de depressão, desde logo pelas alterações que a própria fase de desenvolvimento implica, constituindo, efetivamente, uma altura de maior risco, pelo que deverá haver uma atenção redobrada por parte dos pais e educadores.

Sintomas que devem ser valorizados são a irritabilidade, baixa auto-estima, tristeza, isolamento, alterações de humor, alterações no sono e/ou apetite, dificuldades de memória e concentração, cansaço e diminuição do prazer na realização das tarefas. Estes sintomas podem aparecer em múltiplas combinações, e apenas um técnico de saúde estará apto para fazer o diagnóstico. No entanto, notar estes sintomas e falar sobre eles poderá constituir uma grande ajuda para o encaminhamento da situação em tempo útil.

Se se identifica com o que estou a descrever neste texto, não hesite em pedir ajuda. Procure alguém com quem se sinta à vontade para falar do tema, de forma a conseguir refletir melhor sobre o que se está a passar e organizar-se para iniciar o tratamento. Se não consegue pensar em ninguém com quem falar, procure ajuda técnica adequada.  O seu médico de família, um psicólogo ou psiquiatra poderão ajudá-lo a conseguir o tratamento que necessita.

Se conhece alguém que possa estar a passar por uma depressão, incentive a pessoa a procurar a ajuda técnica que precisa. Comentários como “Isso é só uma fase”, “Tens de te divertir e esquecer isso”, por muito boa intenção que tenham, não ajudam a pessoa a recuperar e, na maior parte das vezes, contribuem até para aumentar a auto desvalorização e isolamento da pessoa doente.

A depressão existe e é uma doença real. De que mais precisa para acreditar?

Catarina Janeiro

Psicóloga Clínica

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