Mariela Michelena, autora do livro “À noite sonhei que tinha peito”

“Não podemos controlar nada na nossa vida”

É uma história surpreendente, comovente, sincera e frontal. A protagonista chama-se Mariela Michelena. Ao passar por uma das mais duras provas da sua vida – enfrentar e tratar um cancro de mama – decidiu publicar alguns dos pensamentos que começou a escrever no mesmo dia em que descobriu um caroço numa palpação de rotina. Em visita a Lisboa, partilhou com o Jornal do Centro de Saúde as suas emoções. A doença que pertence ao passado, os difíceis tratamentos e os projectos actuais e para o futuro. Na primeira pessoa.

28 de Outubro de 2008 marcou o dia em que Mariela Michelena, psicanalista em Madrid, descobriu um pequeno caroço no peito. Como o descobriu? Através de uma rotineira palpação que realiza sempre que se lembra. Esperou que o marido Fernando, psiquiatra, chegasse para partilhar com ele a inquietação da sua descoberta. “Não deve ser nada”, pensaram e tentaram dormir tranquilos. Mariela não esperou e conseguiu arranjar uma consulta para o dia seguinte. Teve de realizar alguns exames enquanto repetia para si própria “não deve ser nada” como a convencer-se que a descoberta da noite anterior seria insignificante “e não passaria de um susto”.

Passados poucos dias, chegaria o resultado que Mariela e Fernando não queriam receber. “Gostaria de lhes poder dar boas notícias”, disse o médico. A psicanalista não precisou de ouvir mais para perceber que tinha cancro. Não queria acreditar, não podia ser! Mas era. Cancro de mama. Decidiu não florear os acontecimentos e chamar a doença pelo nome. “Uma amiga diz que é o “C”. Pessoalmente, gosto mais de dizer cancro, de enfrentar as coisas de frente e não deixar que ele me vença. Tinha noção que a doença era muito má e que o realismo permitiu que chamasse a doença pelo nome, sem evitar fazê-lo. Não sou pessimista. Sou realista”, afirma ao Jornal do Centro de Saúde.

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