Incontinência urinária

Pelo Professor Doutor Paulo Dinis - Serviço de Urologia do Hospital de São João

Perder o controlo da bexiga

A incontinência urinária (I.U.) é uma situação patológica que resulta da incapacidade em armazenar e controlar a saída da urina. Em Portugal estima-se que 15 por cento da população masculina e 40 por cento da população feminina seja afetada por este problema.

A incontinência urinária acarreta custos e despesas enormes e é um aspeto económico que se vai agravar nos próximos anos, já que se assiste a uma tendência de maior longevidade populacional.

O tratamento da incontinência em geral é mais caro para a sociedade que por exemplo o tratamento de cancro da mama ou que o programa de transplantação renal.

A percentagem de doentes que recorrem ao médico por problemas de incontinência comparada com a percentagem dos que se automedicam ou autoprotegem é de apenas 10 por cento, o que é grave, visto que hoje dispomos de armas terapêuticas capazes de curar ou controlar a maior parte das situações.

Por este motivo os doentes devem procurar ajuda e perceber que a incontinência urinária corresponde a uma situação clínica com tratamento, sobretudo se abordada na fase inicial.

As mulheres em idade ativa são mais afetadas

A incontinência urinária pode ser descrita como uma condição patológica. No entanto, a International Continence Society (ICS) vai mais longe na sua definição, afirmando que, para além de ser um problema de saúde e de higiene, a perda de urina é uma situação com repercussões a nível social e pessoal.

Muito embora a incontinência urinária seja transversal a ambos os sexos e a todas as idades, o grupo de mulheres em fase ativa – entre os 45 e os 65 anos – é aquele onde o problema assume um caráter mais marcante. Em termos comparativos, nestas faixas etárias, por cada três mulheres existe um homem afetado pela doença.

E por que razão esta situação atinge mais predominantemente as mulheres nestas idades? A justificação reside na anatomia do períneo da mulher. Os partos podem constituir um traumatismo que debilita as estruturas musculares; a obesidade e a obstipação são igualmente fatores de risco.

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