As gorduras mais aconselhadas nas refeições do doente oncológico

Quando o tema são gorduras, muitas são as questões que se colocam na hora de escolher a melhor opção. Conheça as opiniões da enfermeira Sara Torcato Parreira e da nutricionista Ana Rita Lopes, do Conselho Técnico-Cientifico do Projeto Nutrição Oncológica, da aTTitude, IPSS.
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Devido ao elevado teor calórico (1g contém 9 kcal), este nutriente é muitas vezes associado a doenças como as doenças cardiovasculares. Contudo, é importante perceber que nem todas as gorduras são prejudiciais e o seu consumo é essencial à vida, dependendo da qualidade e das quantidades ingeridas.

Assim, não devemos abdicar deste macronutriente na nossa alimentação (ingestão lipídica entre 20-25% do Valor Energético Total – VET) e importa esclarecer relativamente às muitas opções de gorduras disponíveis no mercado, que podem confundir o consumidor na hora de escolher.

Mas afinal quais são as gorduras mais aconselhadas?

Está comprovado que as gorduras insaturadas são a melhor opção na nossa alimentação. São consideradas “boas” gorduras e encontram-se em quantidades elevadas nas sementes, peixes gordos, azeite, óleos e cremes vegetais. Sabe-se que têm efeito protetor relativamente às doenças coronárias atuando na diminuição do c-LDL (“mau” colesterol) e no aumento do c-HDL (“bom” colesterol).

Em contrapartida, as gorduras saturadas devem ser consumidas em menor quantidade (até 7% do VET) e derivam sobretudo dos produtos de origem animal, estando associadas ao aumento do c-LDL), com consequente aumento do risco de doenças cardiovasculares, se consumidas em excesso.

A ingestão de gorduras trans (gorduras processadas, produzidas industrialmente, com o objetivo de melhorar a textura e paladar dos alimentos) é a menos recomendada e deve ser tão inferior quanto possível (<1% do VET).

E para cozinhar?

Na seleção do tipo de gordura para cozinhar, não devemos escolher apenas os mais saudáveis e menos processados, mas também os que se mantêm estáveis a temperaturas elevadas. A degradação dos óleos a elevadas temperaturas gera substâncias tóxicas de diversos tipos que podem ter efeitos nocivos para a saúde.

No entanto, é importante ter presente que a formação destes compostos depende do tipo de óleo e da temperatura a que são submetidos os alimentos, podendo ser minorada com uma utilização correta dos óleos de fritura (temperatura, número de utilizações e tempo da fritura).

Quais as gorduras mais aconselhadas nas refeições do doente oncológico?

Óleos vegetais (girassol, soja e amendoim)

Os óleos vegetais foram, durante muito tempo, considerados mais saudáveis do que as restantes gorduras dado o seu elevado teor em gorduras insaturadas. Contudo, importa perceber que estes óleos têm também muitas vezes na sua composição gorduras trans, as menos benéficas à saúde, e nesse sentido é importante moderar a sua utilização.

Óleo de palma

Em contrapartida, o óleo de palma não contém gorduras trans e, por ser composto sobretudo por gordura monoinsaturada e saturada, é estável a elevadas temperaturas e poderá ser uma opção para confecionar, se adquirido na sua forma pura e não refinada. Contudo, importa ressalvar que nos últimos anos, pelo baixo custo desta gordura, tem sido utilizado massivamente na indústria alimentar, sendo submetido a processos de transformação que o tornam num óleo refinado e com potenciais efeitos adversos para a saúde. 

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