Vencedora de Prémio Pfizer trabalha em modelo que pode poupar 20 milhões ao SNS

Depois da identificação do gene, a ideia é desenvolver um fármaco, a partir da enzima
12 de dezembro de 2013 - 08h17
A reumatologista Sandra Garcês, vencedora do Prémio Investigação Clínica da Pfizer, hoje anunciado, acredita que, com o modelo de otimização terapêutica que a sua equipa desenvolve, o Serviço Nacional de Saúde pode poupar até 20 milhões de euros por ano.
A médica, do Hospital Garcia de Orta, em Almada, lidera a equipa que desenvolveu um algoritmo para otimizar a terapêutica a doentes com artrite reumatoide, patologia que afeta, principalmente, as articulações.
O algoritmo, "de apoio à decisão clínica", que avalia a quantidade de medicamento no sangue e a presença de anticorpos contra fármacos biológicos bloqueadores de moléculas inflamatórias, foi testado, ao longo de um ano, em 105 doentes que tiveram uma "probabilidade de resposta à terapêutica cerca de dez vezes superior", comparativamente a outros doentes.
A reumatologista adiantou à agência Lusa que o algoritmo pode ser aplicado a outras doenças crónicas inflamatórias, igualmente incapacitantes, que são tratadas com os mesmos medicamentos, como as espondilartrites - artrite reativa, artrite da psoríase - e as artrites associadas a doenças inflamatórias do intestino, colite ulcerosa e doença de Crohn.
O próximo passo será testar e validar a dose mínima de medicamentos para cada doente.
Segundo a investigadora, que iniciou em 2008 o trabalho ao abrigo de um programa de doutoramento financiado pelo Instituto Gulbenkian de Ciência, muitos dos doentes, que respondem bem à terapêutica, têm sem necessidade "concentrações plasmáticas de fármaco muito elevadas, muito superiores às que estão preconizadas".
Sandra Garcês crê que, com os novos critérios de avaliação da resposta terapêutica propostos, é possível fazer um tratamento personalizado aos doentes, mais eficaz e com menos custos, que se traduziria numa poupança anual de 20 milhões de euros no Serviço Nacional de Saúde.
Os investigadores Margarida Amaral e Luís Ferreira Moita são os outros vencedores, na categoria Prémio Investigação Básica da Pfizer.
Margarida Amaral, professora na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, integra uma equipa europeia que analisou cerca de 800 genes, que, quando inibidos, diminuem a atividade da proteína ENaC, hiperativa nos doentes com fibrose quística.

Comentários