Universidade de Coimbra produz três novas moléculas para a deteção de cancros

Inovação deverá trazer uma redução significativa dos custos

3 de dezembro de 2013 - 11h10

O Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS) da Universidade de Coimbra (UC) já está a produzir “três novas moléculas para a deteção de diversos tipos de cancro”, anunciou hoje a UC.

As três novas moléculas são a “Fluorocolina (18F) UC”, a “NaF (18F) UC” e a “DOTA-NOC (68Ga) UC”, cuja produção – iniciada após a respetiva aprovação pelo Infarmed (Autoridade Nacional do Medicamento) – se insere na “estratégia do ICNAS de disponibilizar moléculas que, até aqui, eram de difícil acesso pelos hospitais portugueses”, salienta a UC.

A Fluorocolina é "essencial para a deteção do cancro da próstata, o tipo de cancro mais comum nos homens em Portugal, e a NaF é utilizada para a deteção de metástases ósseas provocadas por vários tipos de cancro, como, por exemplo, os cancros do pulmão, da mama e da próstata", adianta a UC, numa nota hoje divulgada.

“É de esperar uma redução bastante significativa de custos porque, até agora, estes dois radiofármacos eram importados de Espanha”, afirmam os investigadores Antero Abrunhosa e Francisco Alves, sublinhando que, por outro lado, a sua produção “aumentará a acessibilidade aos exames PET (tomografia por emissão de positrões), baseados nestas moléculas”.

A terceira molécula a ficar disponível no mercado – a “DOTA-NOC” – é recente e utilizada no “diagnóstico de tumores neuroendócrinos, tumores raros relacionados com as células neuronais (do sistema nervoso), que podem surgir em diferentes partes do organismo e cuja deteção é muito difícil com as técnicas convencionais”, acrescentam aqueles dois especialistas do ICNAS.

Até agora, para recorrer à sua utilização, as unidades de saúde nacionais que possuem a tecnologia PET necessitavam de “um sistema gerador, com custos de investimento muito elevados”, mas a investigação do ICNAS – recentemente premiado internacionalmente – resultou na “síntese da molécula com características de qualidade farmacêutica, que permitem a sua disponibilização à medida das necessidades”.

Se ao nível clínico estas três novas moléculas são fundamentais para “a caracterização do diagnóstico, o planeamento dos tratamentos e a avaliação pós-terapêutica”, para o ICNAS “são também ferramentas essenciais para ajudar a esclarecer os mecanismos das diversas patologias oncológicas, permitindo, no futuro, desenvolver novas abordagens de tratamento das doenças do foro oncológico”, assegura o neurocientista Miguel Castelo-Branco, diretor do ICNAS.

Lusa

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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