Transplante de medula cura dois pacientes do vírus da Sida

Em 2006, um paciente curou-se do HIV depois de receber um transplante de medula óssea
9 de julho de 2013 - 09h57



Dois pacientes portadores de HIV que receberam transplantes de medula óssea ficaram livres do vírus e já interromperam o tratamento com medicamentos antirretroviais. Os avanços, que trazem esperanças para o tratamento da Sida, foram anunciados por investigadores do Brigham and Women's Hospital, nos Estados Unidos, durante uma Conferência Internacional sobre a doença.



Segundo os médicos, um dos pacientes já não toma medicamentos há 15 semanas e o outro há 8. Desde essa altura que os exames não detetam sinais do HIV no organismo dos mesmos.



A equipa defende que ainda é cedo para falar de cura, já que existe o risco do vírus regressar a qualquer momento. Vírus esconde-se dentro do DNA, criando "reservatórios" em várias zonas do corpo.



Os dois homens, que não foram identificados, são portadores de HIV há cerca de 30 anos, e ambos sofreram de um linfoma, um tipo de tumor que requer transplante de medula.



Depósitos de HIV



A medula óssea é onde as células sanguíneas são produzidas e acredita-se que seja um órgão onde o HIV se deposita. A equipa médica que acompanha os pacientes defenda que os medicamentos antirretrovirais protegeram a medula transplantada da infeção pelo vírus da Sida, à medida que o novo órgão também atacou o que restou da medula original dos pacientes.



Em um dos pacientes, os médicos não detetaram sinais do vírus nos quatro anos seguintes ao transplante. No outro paciente, dois anos após a operação o vírus também não voltou. Ambos deixaram os antirretrovirais no início de 2013.



"O que podemos dizer é que se o vírus não voltar dois anos depois de os pacientes terem interrompido a medicação, as hipóteses do vírus voltar são extremamente baixas", disse Timothy Henrich, médico que acompanhou o processo dos dois doentes, cita a BBC.



"Se o vírus voltar significa que esses outros órgãos [tecido cerebral ou trato gastrointestinal] são um reservatório importante para o vírus, o que pode reorientar as investogações sobre a cura da Sida", acrescentou.



Outros casos



Em 2006, em Berlim, Timothy Brown, conhecido como "Paciente de Berlim", curou-se do vírus da Sida, depois de receber um transplante de medula óssea de um doador raro, que era imune ao vírus HIV.



Há também relato de que um bebé que nasceu com HIV no Mississippi, Estados Unidos, e que foi curado depois de ter recebido tratado com antirretrovirais logo após o nascimento.



SAPO Saúde
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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