Transplante de cabelo pode ser cartão de visita para turismo de saúde no Algarve

Técnica consiste em retirar raízes da região dadora da cabeça para a região com falta de cabelo

18 de março de 2013 - 10h44

As cirurgias de transplante de cabelo podem tornar-se num novo cartão de visita para o turismo de saúde no Algarve e ajudar a combater a crise no setor, acredita um especialista que tem operado vários estrangeiros na região.

As cirurgias realizadas em Portugal custam, em média, menos de metade do que no Reino Unido, o principal mercado no estrangeiro, o que significa que mesmo com os gastos na viagem e estadia no Algarve, o paciente ficaria a ganhar relativamente aos preços naquele país, disse à agência Lusa Pedro Cruz Dinis.

Assumindo que este é um nicho de mercado ainda pouco explorado no Algarve, o cirurgião capilar afirma que iniciou recentemente uma campanha de promoção no exterior, sobretudo na imprensa, através da qual lhe têm chegado muitos pedidos de informação sobre a cirurgia, que realiza em Faro, Lisboa e Leiria.

"Em Portugal é um processo relativamente novo, tem alguns anos, mas estamos cada vez mais a apostar no cliente estrangeiro", referiu o médico, sublinhando que o Algarve tem "excelentes condições" para apostar na área do turismo de saúde, sobretudo devido ao clima, gastronomia e hospitalidade.

Para cativar pacientes no estrangeiro e competir com os países que oferecem este tipo de cirurgias a preços semelhantes aos praticados em Portugal, como a Turquia, a Grécia ou a Hungria, a clínica em Faro onde Pedro Dinis realiza as intervenções está a estabelecer protocolos com hotéis da região.

Segundo o clínico, que trabalhava nas áreas de Emergência Médica de Medicina do Trabalho e se especializou em microcirurgia de transplante capilar na Tailândia, uma cirurgia num paciente com uma calvície marcada através do transplante de unidades foliculares (raízes do cabelo) pode rondar os 3.500 euros.

Esta técnica consiste em retirar, uma a uma, raízes da região dadora da cabeça (parte posterior), que serão depois transplantadas para a região com falta de cabelo, sendo retiradas, por dia, até um máximo de 1.500 unidades, que correspondem a mais de 4.000 cabelos.

O médico compara esta técnica à jardinagem, explicando que após cerca de três meses as raízes transplantadas dão início aos primeiros cabelos, que ali crescerão de forma natural, durante toda a vida, como se fosse o seu local de origem.

As raízes retiradas da parte de trás da cabeça não são substituídas, mas como em um centímetro existem cerca de 100 raízes e apenas são retiradas dez, a diminuição da densidade capilar é pouco visível.

Existe outra técnica, menos dispendiosa, que consiste em retirar uma tira de cabelo da região dadora da cabeça, que resultará numa cicatriz facilmente disfarçável, acrescentou.

O cirurgião, que se dedica à microcirurgia de transplante capilar há cerca de quatro anos, refere que já operou em Portugal pacientes oriundos do Reino Unido, Irlanda, Suíça.

Lusa

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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