Tabaco, drogas ou stress na gravidez podem interferir na sexualidade do feto

Especialista holandês defende que sexualidade é determinada no útero e que não pode ser alterada
22 de janeiro de 2014 - 17h41



O neurologista holandês Dick Frans Swaab defende, no seu mais recente livro “We are our Brains”, que a homossexualidade está ligada a uma mudança na composição hormonal que ocorre durante a formação do cérebro. Segundo a sua tese, fumar, ingerir drogas ou viver em constante stress durante a gravidez pode influenciar a formação da sexualidade do feto.



"As mulheres grávidas que sofrem de stress tem mais hipótese de terem bebés homossexuais, porque os níveis elevados da hormona do stress, o cortisol, afetam a produção das hormonas sexuais no feto", escreve Swaab.



A abordagem do médico, professor de neurobiologia da Universidade de Amsterdão, parte do pressuposto de que a sexualidade é determinada no útero e que não pode ser alterada, contrariando a visão de outros especialistas que defendem que a orientação sexual é uma escolha individual.



"Embora seja frequente ouvirmos que o desenvolvimento social depois do nascimento também afete a orientação sexual, não há absolutamente nenhuma prova científica disso", vaticina Swaab, cita a BBC.



Swaab cita o caso de um medicamento prescrito a dois milhões de mulheres para evitar abortos nas décadas de 40 e 50 que, segundo ele, aumentou as hipóteses de bissexualidade e homossexualidade dos recém-nascidos.



"A exposição à nicotina e à anfetamina durante a gravidez elevam as hipóteses de a mãe gerar uma filha homossexual", afirma o holandês.



O mesmo neurocientista acredita igualmente que as hipóteses de um bebé ser homossexual são maiores quando a mãe já tem outros filhos homens. "Por causa da resposta imunológica da mãe às substâncias masculinas produzidas por bebés do sexo masculino no útero. Essa reação torna-se cada vez mais forte durante cada gravidez", justifica.



A tese de Swaab não é inédita, já que no 21º Encontro da Sociedade Europeia de Neurologia, realizado em 2011, Jerome Goldstein, do Centro de Investigação Clínica de São Francisco, nos Estados Unidos, apresentou dados baseados em tomografias computadorizadas que mostravam a diferença dos cérebros entre homossexuais e heterossexuais.



Segundo Goldstein, "a orientação sexual não é uma opção, é essencialmente neurobiológica e essencial ao nascimento".



SAPO Saúde
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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