SexLab avaliou importância dos fatores psicológicos na resposta sexual

SexLab é o primeiro laboratório do país a conduzir estudos experimentais sobre Sexologia
5 de março de 2014 - 14h21



Um estudo realizado pelo Laboratório de Investigação em Sexualidade Humana (SexLab), da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação do Porto, demonstrou a importância dos fatores psicológicos na resposta sexual tanto dos homens como das mulheres.



Os dados, hoje divulgados, no Porto, mostram que “a forma como as pessoas interpretam e lidam com as situações sexuais negativas é fundamental para explicar o desenvolvimento de dificuldades sexuais quando não existe uma causa médica evidente. Além disso, os pensamentos e emoções que as pessoas apresentam durante a atividade sexual determinam a sua reposta sexual e o prazer sentido”.



A investigação sobre o papel das variáveis psicológicas no desenvolvimento de dificuldades sexuais em homens e mulheres sugere também que “os tratamentos psicológicos para as dificuldades sexuais poderão ser mais eficazes se se focarem na forma como as pessoas interpretam e lidam com as situações de insucesso sexual e se promoverem o aumento de pensamentos sexuais e emoções positivas experienciadas pelas pessoas durante a atividade sexual”.



Segundo o investigador Pedro Nobre, coordenador do SexLab, neste estudo experimental participaram 160 voluntários (80 homens e 80 mulheres) sem dificuldades sexuais em que observaram dois filmes de conteúdo sexual, enquanto a sua resposta sexual era medida em tempo real (através de avaliação da circunferência do pénis no caso do homem e da vasocongestão vaginal no caso da mulher).



No final de cada filme foi aplicado um questionário sobre o grau de excitação sexual sentido e sobre os seus pensamentos e emoções durante o filme. Além disso, um grupo de mulheres e de homens escolhidos ao acaso recebeu, a meio da experiência, um feedback negativo falso sobre a sua resposta sexual ao primeiro filme: foi-lhes dito pelos investigadores que a sua resposta sexual no primeiro filme tinha sido mais baixa do que seria de esperar.



“Esta informação falsa visava criar uma situação em laboratório que recriasse uma potencial situação de fracasso sexual ocasional na vida real”, explicou o responsável.



O objetivo era perceber se uma situação supostamente negativa (embora falsa) criada artificialmente teria efeito na resposta sexual posterior (neste caso ao segundo filme que os voluntários foram convidados a ver depois do feedback).



Visava também “perceber se a forma como as pessoas lidavam com a informação negativa sobre o seu suposto fracasso na resposta sexual e os pensamentos e emoções que tinham durante o segundo filme explicavam ou não a sua resposta sexual genital e subjetiva”.



Na sequência destes dados, a equipa do SexLab da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto está a desenvolver um estudo sobre a eficácia no tratamento da disfunção erétil que compara o efeito da medicação com a terapia cognitivo-comportamental (estudo a decorrer no Porto e em Lisboa).



O SexLab é o primeiro laboratório do país a conduzir de forma regular estudos de natureza experimental e psicofisiológica em Sexologia em Portugal.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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