Setor do vinho do Porto teme repercussões de nova taxa sobre álcool

Ministério das Finanças quer avançar em 2015 com taxa sobre produtos nocivos para diminuir consumo
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22 de abril de 2014 - 10h11



O presidente da Associação das Empresas de Vinho do Porto (AEVP), António Saraiva, disse hoje que teme “repercussões muito negativas no setor” com o aumento da taxa sobre o álcool confirmada pelo Governo.



António Saraiva afirmou à agência Lusa que qualquer taxa que seja introduzida no setor, que já está “bastante frágil”, vai “penalizar o consumo responsável de vinhos”.



O vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, confirmou no Parlamento, na segunda-feira, um aumento da tributação sobre o álcool e o tabaco e uma redução de rendas na indústria fornecedora de medicamentos.



Para o presidente da AEVP, este anúncio é “muito mau”.



“Isso preocupa-nos bastante. As empresas têm dificuldades, o crédito ainda está difícil de obter e tememos que isso tenha repercussões muito negativas no nosso setor”, sublinhou.



Referiu ainda que Portugal é um país com uma forte componente agrícola, que a viticultura tem tido grandes dificuldades, com anos de fracas produções e que, só em 2013 é que se teve “uma vindima mais substancial”.



“Temo que, pela situação que Portugal vive, que isso venha a penalizar o consumo responsável de vinhos”, salientou ainda.



O presidente da AEVP lembrou o “trabalho didático” que tem vindo a ser feito nos últimos anos, junto das escolas de hotelaria, de alguma imprensa e consumidores, “no sentido de que as pessoas cada vez percebam melhor os vinhos e as regiões”.



António Saraiva frisou que qualquer tributação sobre o álcool se irá refletir numa quebra de vendas, devido às dificuldades sentidas atualmente pelas famílias e porque o vinho não é um produto de primeira necessidade.



De uma forma geral, apesar de se ter registado um decréscimo de 3,4% na quantidade total de vinho do Porto vendida em Portugal em 2013, assinalou-se um crescimento de 4,1% em valor relativamente a 2012, o que se traduz num volume de negócios de 54 milhões de euros.



Este aumento resulta de um acréscimo de 7,7% do preço médio, potenciado pelo crescimento das categorias especiais.



Neste tipo de vinho do Porto, onde se incluem os Vintage, Reserva, LVB, Tawnies envelhecidos, Crusted e os Colheita, verificou-se em Portugal um aumento de 5,6% na quantidade comercializada (196 mil caixas de nove litros) e de 10,5% em volume de negócios (21,5 milhões de euros).



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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