Serotonina aumenta paciência mas pode não aumentar bem-estar

A serotonina aumenta os níveis de paciência, concluiu um estudo divulgado esta quinta-feira, que levanta dúvidas sobre o papel do neurotransmissor no aumento dos níveis de bem-estar, uma ideia até agora generalizada.
créditos: AFP/EMMANUEL DUNAND

O estudo, publicado na revista científica “Current Biology”, foi feito por um grupo de investigadores da Fundação Champalimaud (Programa de Neurociências), liderado por Zachary Mainen, investigador principal e diretor do Programa.

Trabalhando com ratos, os investigadores descobriram uma relação de causalidade entre a ativação dos neurónios que produzem serotonina e o tempo que esses ratos estão dispostos a esperar por uma recompensa.

“Este estudo permitiu também rejeitar a ideia de que o aumento de serotonina produz um efeito gratificante”, diz um comunicado da Fundação, que cita Zachary Mainen: “Como se pensa que os antidepressivos aumentam os níveis de serotonina, é comum as pessoas assumirem que quanto mais serotonina os neurónios produzirem, melhor se irão sentir. O que os nossos resultados vêm demonstrar é que a história não é assim tão simples”.

Certo é que, como explicou à Lusa a investigadora e participante no estudo Madalena Fonseca, “o aumento da serotonina aumenta a capacidade de esperar”. Mas alertou que o estudo também não acaba com a ideia de que mais serotonina quer dizer mais bem-estar, apenas “a está a questionar”.

“A ideia de que a serotonina aumenta o bem-estar é baseada no facto de que os antidepressivos (que atuam sobre o acumular de serotonina) melhoram a depressão. Mas não há nenhuma evidência de que a serotonina melhora o bem-estar”, disse à Lusa.

Da mesma forma, acrescentou, se o aumento de serotonina ajuda na depressão, tal não quer dizer que a falta de serotonina ajude a aumentar a depressão. Este estudo, feito em ratos, como acentuou a investigadora, deixa a ideia de que podem ser “mais complicados” os mecanismos que levam à depressão.

A serotonina, lembra o comunicado, é um neuromodulador químico, alvo de medicamentos antidepressivos, como o Prozac, que são utilizados frequentemente no tratamento da depressão e de outros distúrbios. É produzida por um pequeno conjunto de neurónios localizados numa área do cérebro chamada núcleo da rafe.

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