Reparação do ADN é fundamental para prevenir e tratar cancro

Os estudos dos mecanismos reparadores do ADN, que valeram o Prémio Nobel da Química a três cientistas estrangeiros, são fundamentais para a prevenção e o tratamento do cancro, realçam especialistas portugueses.
créditos: AFP

"As lesões no ADN são, provavelmente, a causa mais comum de cancro. Se não tivéssemos esta capacidade de reparar o ADN, o que teríamos era cancro por todo o corpo, tumores a aparecerem em todas as partes do corpo", assinalou o investigador Sérgio Almeida, do Instituto de Medicina Molecular de Lisboa, a propósito da atribuição do Prémio Nobel da Química a Thomas Lindalh, Paul Modrich e Aziz Sancar.

As pessoas que "têm mutações nalguns dos genes que estão envolvidos nos mecanismos" de reparação da informação genética "desenvolvem cancro com muita frequência", sublinhou.

O investigador esclareceu que as células "dispõem de várias estratégias para reparar diferentes tipos de lesões que afetam o ADN", permitindo prevenir a acumulação de mutações ou erros genéticos que podem levar ao aparecimento de cancro.

Sérgio Almeida, também professor na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, compara os mecanismos de reparação do material genético existentes nas células a uma caixa de ferramentas, em que a chave de fendas, o alicate ou o martelo são usados consoante o tipo de falha a consertar.

Se a reparação do ADN previne o aparecimento de cancro, também ajuda no seu tratamento.

Como funciona a quimioterapia junto do ADN?

O investigador explicou que a quimioterapia introduz danos no ADN que, depois, "a célula cancerígena não tem capacidade para reparar", não lhe restando outra alternativa senão morrer.

Pedro Baptista, professor no Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, sustentou que a compreensão dos mecanismos que estão na origem dos erros genéticos pode ajudar na prevenção, por exemplo do cancro da pele.

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