Quase menos 4 mil nascimentos no primeiro semestre em Portugal

Preço dos equipamentos e serviços para a primeira infância são dos mais caros da Europa
23 de setembro de 2013 - 09h24
Portugal registou uma diminuição de quase quatro mil nascimentos no primeiro semestre de 2013, em relação ao mesmo período de 2012, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).
Entre janeiro e junho deste ano, nasceram menos 3.968 em Portugal - período em que se registaram 39.913 nascimentos - do que em igual período do ano passado, em que nasceram 43.881 bebés.
Segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), o mês em que nasceram mais crianças no primeiro semestre deste ano foi janeiro (7.248), enquanto o mês com menos bebés a nascer foi o de fevereiro (6.101).
A diminuição do número de nascimentos nos primeiros seis meses do ano é justificada por um especialista com questões como o desemprego jovem, o elevado preço das creches e a dificuldade em conciliar carreira e maternidade.
Em declarações à agência Lusa, José Morgado, coordenador do Departamento de Psicologia de Educação no Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), considerou que o impacto das questões económicas, sobretudo o desemprego jovem, é uma das principais razões para o “fenómeno complexo” do constante abaixamento da natalidade em Portugal.
“Há que considerar o impacto das questões económicas, sobretudo no desemprego jovem, porque as mulheres, além de estarem a ter menos filhos, estão a ter filhos mais tarde, e isto tem a ver com a tentativa de encontrar alguma estabilidade de natureza profissional e depois pensar então nas questões da constituição da família”, explicou José Morgado.
Para o especialista, com o "desemprego jovem a rondar os 40%", é evidente que os projetos de paternidade fiquem “altamente comprometidos”.
“As pessoas não têm casa, não têm emprego, estão a viver com os pais. Há um lado económico que tem bastante peso”, observou o psicólogo, que tem refletido sobre a matéria.
Por outro lado, segundo José Morgado, há um estudo que diz que no âmbito da União Europeia as mulheres portuguesas são das que mais gostariam de compatibilizar “maternidade com carreira”, mas “o problema é que o acesso à carreira é muito complicado”.
No entanto, as mulheres portuguesas, de facto, têm “motivação em ter filhos e têm interesse em compatibilizar essa situação com a carreira”, acrescentou.
O preço dos equipamentos e serviços para a primeira infância e pré-escolar são dos mais caros da Europa, proporcionalmente ao nosso rendimento, e segundo José Morgado esse é outro fator para, num quadro de dificuldades económicas, não ajudar ao aumento da natalidade.
"Toda a conjuntura económica, aliada à falta de confiança no futuro, retira às pessoas a disponibilidade para contrair a responsabilidade da família, de um filho ou de um segundo ou terceiro filho", observou, reiterando que a fragilidade psicológica e o atual "caldo de cultura" não é favorável às famílias.

Lusa
artigo do parceiro: Nuno de Noronha

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