Presidente de Câmara diz que gestão do Centro Hospitalar do Algarve é "incomportável"

Abaixo-assinado subscrito por 180 clínicos alerta para degradação dos serviços de saúde
20 de fevereiro de 2014 - 14h44



O presidente da Câmara de Castro Marim considerou hoje que o Centro Hospitalar do Algarve (CHA) “é incomportável” e a sua gestão “difícil”, por “muito competente que seja a administração”, e defendeu que o modelo “deve voltar atrás”.



Francisco Amaral, que presidiu cerca de duas décadas à Câmara de Alcoutim e venceu para o PSD as últimas eleições para o município vizinho de Castro Marim, afirmou que a “falta de médicos no Algarve é um problema de há muitos anos, nomeadamente de médicos especialistas”, pelo que têm de ser tomadas medidas especiais para combater esta realidade.



Entre essas medidas, o autarca defendeu a aprovação, pelo Governo, de uma normativa que permita a acumulação de reformas e vencimentos, para que médicos já aposentados mas que ainda possam exercer voltem aos hospitais, ou a contratação com privados de consultas externas que os utentes não estejam a conseguir no setor público.



“Há uma certa moda, que foi importada da Europa, em relação aos centros hospitalares e à fusão de alguns hospitais. Está mais que visto e demonstrado que, no caso particular do Algarve, a coisa não funciona e não se adapta”, afirmou o autarca à agência Lusa, considerando que o modelo “deve ser revisto”.



Francisco Amaral, médico de profissão, frisou que “a maior empresa que há no Algarve é o hospital de Faro”, que tem “milhares de funcionários” e um “orçamento de muitos milhões de euros”, e “se já não bastasse gerir um hospital como o de Faro ser uma dor de cabeça”, o CHA ainda “juntou a gestão de Faro com a dos hospitais de Portimão e de Lagos”.



“Isto é completamente incomportável e, por muito competente que seja uma administração, dificilmente consegue resolver estas situações e dar conta do recado todo”, acrescentou.



O presidente da Câmara de Castro Marim disse que, para resolver o problema da falta de médicos, o Governo devia permitir aos médicos especialistas já retirados a acumulação da reforma com o vencimento ou contratar com o setor privado consultas externas e cirurgias que estão em lista de espera por falta de clínicos.



“O Algarve é uma zona desprotegida, com falta de médicos especialistas, e terá de haver um esforço acrescido do poder central para que estas vagas sejam preenchidas. Terá de haver uma diretiva governamental no sentido de os médicos especialistas que já se reformaram poderem regressar. A outra será contratualizar milhares de consultas e intervenções cirúrgicas”, defendeu.



Francisco Amaral considerou, no entanto, que estes problemas devem ser “resolvidos num clima de paz” e sem as posições “emotivas” que têm sido tomadas por médicos, como um abaixo-assinado subscrito por 180 clínicos a alertar para a degradação dos serviços de saúde no Algarve, ou com declarações do presidente do conselho de administração do CHA, Pedro Nunes, a “chamar tolos” a esses clínicos.



“Mesmo que venha outro conselho de administração, a questão essencial vai continuar, porque o problema do Algarve é a falta de médicos e ninguém faz milagres”, considerou, apelando a que as partes se “sentem à mesa” para resolver os problemas da Saúde na região e “deixem as guerras de lado”.



SAPO Saúde com Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

Comentários