Portugal tem 12 escolas de toureio para crianças, ONU avisa para riscos físicos e mentais

Legislação portuguesa prevê que só os maiores de seis anos possam assistir a touradas
7 de fevereiro de 2014 - 11h55
Portugal tem 12 escolas onde crianças aprendem a tourear, nalguns casos também a matar touros, segundo um relatório da organização Franz Weber, que motivou uma recomendação da ONU para que se protejam os menores da violência das touradas.
O Comité dos Direitos das Crianças das Nações Unidas aconselhou esta semana Portugal a criar legislação que restrinja a presença de crianças em touradas, quer como participantes quer como espetadores, mostrando preocupação com os efeitos na saúde física e mental dos menores.
Na base desta decisão esteve um relatório da organização não-governamental Franz Weber, a que a Lusa teve acesso, que traça o primeiro retrato desta realidade no país.
“Em Portugal há 12 escolas de toureio conhecidas onde as crianças recebem aulas teóricas e práticas com gado vivo, pondo em risco a sua integridade física e mental”, refere o documento.
Segundo a investigação da Fundação Franz Weber, que decorreu durante cerca de um ano, as crianças aprendem toureio a pé e são ensinadas a lutar usando capa e espada. Os treinos práticos passam também por espetar bandarilhas em animais.
Apesar de a morte de touros em público estar proibida em Portugal desde 1928, as crianças que frequentam algumas destas escolas são treinadas como matadores, sendo realizadas deslocações a Espanha para que os menores possam experimentar a sensação de matar um animal.
A organização Franz Weber denuncia ainda no seu relatório a realização de toureio com crianças em quintas privadas, onde se torna difícil controlar ou fiscalizar a idade dos participantes e o tipo de atividades.
A legislação portuguesa prevê que só os maiores de seis anos possam assistir a touradas enquanto espectadores e que os maiores de 12 anos possam participar em atividades de toureio.
Apesar disso, segundo o relatório que serviu de base à ONU, há escolas em Portugal que aceitam crianças a partir dos três anos e outras que permitem a frequência a partir dos seis.
A Fundação Franz Weber (FFW) alerta para a ausência de legislação que regule as escolas taurinas em Portugal, que são geralmente registadas como associações culturais.

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