Portugal está entre países desenvolvidos com menor consumo de fast food

Na década de 2000, todos os países da OCDE conheceram um aumento do consumo de fast food
3 de fevereiro de 2014 - 10h23



Portugal, nos países desenvolvidos, está entre aqueles que apresentam menor obesidade e menor consumo de fast food, segundo um estudo divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que estuda a obesidade, hábitos de consumo e a liberalização comercial de bens alimentares.



Este é o primeiro estudo que investiga o papel da liberalização dos mercados no consumo de comida rápida (fast food) e no aumento do índice de massa corporal (IMC), incluindo pela primeira vez o número de transações da chamada fast food.



"Portugal encontra-se entre os países com menores níveis de consumo de comida rápida e com menor IMC", diz o estudo da OMS, que toma por referência dados de 2008, para os diferentes países, altura em que Portugal apresentou o segundo menor número de "transações 'per capita', entre os países selecionados neste estudo", segundo o professor Roberto De Vogli, da Universidade da Califórnia (UC Davis), principal autor do relatório.



O estudo analisou os dados de 1999 a 2008, de 25 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), com o objetivo de observar o vínculo entre a obesidade e a liberalização do mercado de bens alimentares.



"O nosso estudo indica que todos os países conheceram um aumento no consumo de comidas rápidas e do IMC [dos seus cidadãos], mas os países que desregularam gradualmente e minimamente as suas economias, conheceram um incremento mais lento do consumo de comida rápida e do IMC", disse à Lusa Roberto De Vogli.



Quarta economia mais regulada



No caso de Portugal, a economia, ao longo deste período, esteve ainda protegida em termos de regulação alimentar, o que minimizou o aumento da obesidade e do consumo de fast food. "Portugal é a quarta economia mais regulada entre os países da OCDE", disse o professor, tendo em conta o período em causa.



Portugal aplicou políticas de mercado mais restritivas, sendo possível estabelecer uma relação com um impacto menor, nos níveis de obesidade, ao contrário de outros países do estudo, dominados por oligopólios alimentares, nos quais as políticas de liberalização, incluem entre outros, menos subsídios agrícolas, menos taxas, menos controlo dos preços e fiscalizações débeis, em termos alimentares.



Roberto De Vogli, em declarações à Lusa, explica, por exemplo, que "Portugal tem um IMC muito inferior aos países anglo-saxónicos, como os Estados Unidos, Canadá e Austrália, com mercados mais desregulados, e onde o consumo de comida rápida e a prevalência da obesidade são superiores".

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