Pedras nos rins aumentam 20 por cento no verão

O aumento da temperatura e da transpiração durante os meses de verão potencia, em mais 20 por cento, o aparecimento de pedras nos rins, uma condição dolorosa, que afeta cerca de 800 mil portugueses e que está associada a uma alimentação pouco cuidada e a uma fraca hidratação nos meses mais quentes do ano.
créditos: NUNO VEIGA / LUSA

“O processo de formação das pedras nos rins é distinto, sendo, no entanto, constante a presença de uma urina concentrada e saturada dos constituintes formadores dos cálculos, devido a uma baixa ingestão de líquidos. Esta condição é também mais frequente em adultos jovens, entre os 30 e os 50 anos, e do sexo masculino, havendo um risco significativo de recidiva”, explica António Matos Pereira, urologista do Hospital Lusíadas Lisboa.

E acrescenta: “Os cálculos são formados no seio renal e podem ter diferentes dimensões, não sendo a intensidade da cólica e as suas complicações proporcionais ao tamanho do mesmo. A dor só aparece quando há uma obstrução à passagem da urina, o que acontece quando o cálculo se está a deslocar do rim para a bexiga ao longo do ureter, dadas as reduzidas dimensões deste”.

Os sintomas mais frequentes de um cálculo renal são a dor lombar aguda e violenta, com irradiação anterior, acompanhada por náuseas e vómitos, por vezes precedida por sangue na urina. Em casos mais graves, o doente pode ainda sentir febres altas e calafrios.

“O tratamento dos cálculos renais pode ser médico ou cirúrgico, dependendo de diversas variáveis. Nos casos em que a obstrução é incompleta e sem infeção, a terapêutica é médica e com um seguimento da evolução; se por outro lado, o paciente estiver perante uma obstrução completa e sem progressão do cálculo ou se existe um quadro infecioso, a terapêutica é cirúrgica, uma vez que existe um risco elevado de infeção generalizada e eventual morte”, revela.

“Estudos diversos confirmam um aumento de 20 por cento no número de casos de pedras nos rins durante o Verão. É importante que as pessoas reforcem o consumo de líquidos durante esta época, sendo que quanto mais clara estiver a urina, menor será a concentração de iões e, consequentemente, menor será a probabilidade de formação de cálculos”, conclui.

O cálculo renal é caracterizado por uma massa sólida, composta por pequenos cristais, inicialmente formada no rim, onde pode ficar durante muitos anos sem qualquer sintomatologia. Quando se desloca para a bexiga através do ureter – uma estrutura muito fina e delicada – provoca a cólica renal, extremamente dolorosa, levando as pessoas a procurar um médico de urgência.

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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