Ordem dos Médicos acusa ministro de agressão à formação médica

A Ordem dos Médicos do Norte acusou esta quinta-feira o Ministério da Saúde de protagonizar uma “agressão inaceitável à formação médica” em Portugal, alertando que a revisão da legislação que a regula “significa um retrocesso sem precedentes na qualidade da medicina”.
créditos: MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

"Já todos entendemos que medicina o ministro Paulo Macedo quer para o país. Uma medicina de ‘guerra’, normalizada, a retalho, em grandes superfícies, em parte realizada por outros profissionais de saúde, com médicos e doentes de primeira e segunda categorias, em que a autonomia precoce para o exercício da medicina e da especialidade passe a ser a solução para todos os problemas", sustenta em comunicado o presidente do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos (CRNOM), Miguel Guimarães.

Numa reação à possibilidade de vir a ser extinto o ano comum (período de tempo durante o qual os futuros médicos passam por vários serviços) a partir de 2017, que ainda terá de ser avaliada por uma comissão, o CRNOM considera que a formação prática inicial em Medicina fica “seriamente em risco” e alerta para as “consequências dramáticas no percurso e formação dos jovens médicos".

“A acontecer a extinção do ano comum, os estudantes recém-licenciados ou mestres em Medicina teriam de imediato autonomia para o exercício da Medicina, com todas as consequências negativas daí decorrentes", afirma.

Criada comissão de avaliação

Na semana passada, o secretário de Estado da Saúde, Manuel Ferreira Teixeira, afirmou que “vai ser criada uma comissão de avaliação, com a Ordem dos Médicos, Ministério da Saúde e faculdades de Medicina, no sentido de averiguar se em 2017 é possível o ano comum terminar”.

“Claro que pode terminar se o curso de Medicina for suficientemente profissionalizante, que é aquilo que se pretende. Os estudantes não devem, de facto, acumular anos que tendem a ser um desperdício para eles e para a própria sociedade. Isso só se passará em 2017 caso esta comissão assim ache que deve ser”, afirmou então o secretário de Estado.

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