Olhos biónicos são a grande esperança moderna para recuperar a visão

Estima-se que na Europa e Estados Unidos haja 400.000 pessoas com retinose pigmentar

23 de junho de 2014 - 09h41

Deficientes visuais em várias partes do mundo estão a recuperar parcialmente a visão graças a olhos biónicos, sistemas eletrónicos implantados diretamente na retina.

De acordo com o médico francês José-Alain Sahel, estes sistemas têm permitido muitas pessoas cegas perceberem novas "formas e contrastes brilhantes de objetos de tamanho médio" e alguns já conseguem ler "letras e palavras grandes".

"Esta não é uma visão natural, mas uma perceção visual útil", disse o especialista, que dirige o Instituto da Visão, um centro de pesquisa do hospital oftalmológico Quinze-Vingts em Paris.

Atualmente, mais de uma centena de pessoas no mundo usa "retinas artificiais", criadas por três empresas diferentes dos Estados Unidos, Alemanha e França.

"A minha vida mudou", garante um paciente francês operado por Sahel, que tem implantado um sistema Argus II, da empresa americana Second Sight.

O sistema é formado por uns óculos de sol, equipados com uma microcâmara, um aparelho eletrôónico que trata os dados visuais captados pela câmara e um sistema que os transmite para o implante ocular.

Mediante impulsos elétricos, o implante estimula artificialmente as retinas afetadas por retinose pigmentar, uma doença genética e degenerativa.

Na Europa e nos Estados Unidos, 86 pessoas usam o sistema Argus II, vendido por 115.000 euros, segundo Grégoire Cosendai, vice-presidente europeu da Second Sight.

Embora este sistema tenha aberto novos caminhos, o especialista francês José-Alain Sahel está a trabalhar noutro sistema similar chamado Iris, em colaboração com a start-up Pixium Vision.

Até agora, cinco pacientes receberam este olho eletrónico fabricado em França.

Outra fabricante, a alemã Retina Implant, está a começar a comercializar na Europa o seu próprio sistema de implantes que funciona sem câmara externa. Neste caso, o implante, situado abaixo da retina, capta diretamente a imagem e estimula o olho. Os 40 cegos que utilizam o sistema, vendido por 100.000 euros, conseguem ver "diferentes níveis de cinza", explica o presidente da empresa, Walter G. Wrobel, cita a agência France Presse.

Estima-se que na Europa e nos Estados Unidos haja entre 350.000 e 400.000 pessoas com retinose pigmentar.

Por SAPO Saúde com Lusa

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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