Observatório vai receber notificações de efeitos adversos com produtos naturais

Uso de extratos de plantas só é seguro com rigoroso controlo de qualidade, alerta especialista
11 de junho de 2013 - 10h19



O Observatório de Interações Planta–Medicamento (OIPM) será o organismo português que vai receber as notificações de efeitos adversos com produtos de origem naturais, revelou hoje à agência Lusa a coordenadora deste organismo.



A Organização Mundial de Saúde (OMS) tem diretivas que obrigam a que todos os produtos de medicina tradicional, à base de plantas, apresentem provas de eficácia e de segurança e sejam sujeitos a controlos de qualidade, “o que nem sempre acontece”, disse Maria da Graça Campos.



A coordenadora do observatório da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra (FFUC) adiantou que a OMS tem recebido várias notificações de efeitos adversos com produtos de origem naturais.



“Em Portugal será o OIPM/FFUC a receber essas notificações, que depois serão reencaminhadas para os outros organismos competentes nestas áreas consoante se trate de um suplemento, alimento ou medicamento”, adiantou à Lusa investigadora da FFUC.



“Infelizmente, têm aparecido no mercado internacional e também no português uma série de produtos incluindo ‘plantas milagreiras’ e igualmente perigosas na prevenção e no tratamento” de doenças como o cancro, frisou.



Maria da Graça Campos adiantou que, nos últimos 30 anos, entraram no mercado cerca de 124 medicamentos para o cancro, sendo que apenas 20 são de síntese química total.



“Todos os outros, mais de 100, são de origem em produtos naturais”, disse.



“Estas substâncias químicas retiradas da natureza são suficientemente ativas para poderem contribuir para matar células tumorais, mas devidamente controladas e usadas em doses que permitam que o benefício seja superior ao risco”, explicou.



“Essa é uma das principais razões pelas quais não se devem usar as plantas diretamente pois poderia matar-se o doente em vez de o salvar”, sustentou.



Maria da Graça Campos adiantou que o uso de extratos de plantas só é seguro se forem preparados com rigoroso controlo de qualidade e as doses dos constituintes estejam devidamente determinadas.



Nesse sentido, vincou, “estes produtos devem estar devidamente registados nas entidades respetivas consoante a categoria a que pertencem”.



Durante cinco semanas o observatório realizou a campanha “Aprender Saúde entre as Plantas e os Medicamentos” para sensibilizar a população dos riscos que corre ao consumir medicamentos com produtos naturais, como chás, suplementos ou até alimentos, combinações que nalguns casos podem conduzir à morte.



Maria da Graça Campos adiantou à Lusa que os doentes têm contactado o observatório para “melhor perceberem estas questões e para poderem decidir conscientes da informação, ou falta dela, que existe sobre os produtos naturais que estão a tomar ou que lhes são recomendados para tratar o cancro, aumentar o estímulo do sistema imunitário e/ou para desintoxicar”.



O Observatório dispõe de uma linha de apoio à população e aos profissionais de saúde (239488484).



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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