Obesos acusam Ministério da Saúde de querer tratar menos doentes

Associação acusa ministério de baixar o valor das cirurgias para os hospitais privados
17 de maio de 2013 - 09h19



A Associação de Doentes Obesos vai lançar hoje um manifesto no qual acusa o Ministério da Saúde de querer tratar o menor número possível de doentes e de dificultar o acesso às consultas para a obesidade.



“Ao Ministério interessa tratar o menor número possível de doentes obesos, não dando relevância às condições existentes no hospital nem se certificando que a equipa é efetivamente multidisciplinar”, refere o documento da Associação de Doentes Obesos e ex-Obesos de Portugal (ADEXO).



Intitulado “manifesto público de interesses antagónicos com o Ministério da Saúde”, o documento traça, em seis pontos, críticas à atuação do Governo em relação ao tratamento e prevenção da obesidade.



“Os hospitais públicos já provaram não ter capacidade para diminuir realmente as listas de espera [para consulta e cirurgia] e, mais uma vez, o Ministério utilizou um dos seus artifícios: acabou com o programa de tratamento cirúrgico da obesidade, argumentando que assim os hospitais teriam de operar os doentes, caso contrário seriam passados cheques cirurgia e o hospital de origem do doente arcaria com os custos da mesma”, refere a associação.



Acrescenta ainda que, depois, o ministério baixou o valor das cirurgias para os hospitais privados, para que nenhum as aceitasse fazer.



Falta de ação do Ministério, acusa associação



Além disso, os doentes acusam os hospitais de terem cortado ou “limitado bastante” o acesso de doentes à primeira consulta para não terem listas de espera associadas.



“À ADEXO interessa que morram menos doentes nas listas de espera por falta de tratamento, para o ministério será claramente uma redução de custos”, indica o manifesto, sublinhando que a morte causada pela obesidade é o facto contra o qual a associação mais luta.



Para os doentes, morrer numa lista de espera, “sem tratamento” e, muitas vezes, “sem triagem inicial” na marcação da primeira consulta é “um desleixo, uma falta de profissionalismo e uma falta de fiscalização e ação do Ministério da Saúde”.



A representante dos obesos diz ainda que está interessada em ajudar a diminuir os custos que estes doentes representam para o Serviço Nacional de Saúde (SNS), já que ao serem operados reduzem o consumo de medicamentos, de consultas e de exames de diagnóstico e controlo.



Segundo um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública, em 2013, os custos indiretos de tratamento destes doentes já ultrapassam os 700 milhões de euros.



O documento, que é lançado na véspera do Dia Nacional de Luta Contra Obesidade, assinalado no sábado, apela ainda a uma intervenção eficaz da Autoridade do Medicamento (Infarmed) no que respeita a garantir a segurança de todos os produtos postos à venda como remédios para tratar a obesidade, que podem assumir a forma de comprimidos, cápsulas, ampolas ou chás.



“Ao Ministério da Saúde parece interessar que os doentes continuem a ser fortemente prejudicados na saúde. Importante e imperioso seria legislar para controlar estes lobies [ligados ao produtos para reduzir peso] que, ao provocarem efeitos de peso ‘yo-yo’ ou outros mais perigosos, enviam dezenas de doentes para as urgências dos hospitais”, escreve a ADEXO.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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