Nutricionistas alertam para risco de alimentos tostados serem cancerígenos

Acrilamida provoca mutações do ADN que aumenta a suscetibilidade ao cancro
9 de julho de 2014 - 09h01
A Ordem dos Nutricionistas alerta para o risco de os alimentos tostados poderem ser cancerígenos, com base num parecer científico da Autoridade de Segurança Alimentar Europeia (EFSA) que se encontra em consulta pública.
O documento da EFSA, que se encontra em consulta pública desde 1 de julho até 15 de setembro, "confirma anteriores avaliações, com base em estudos com animais, de que a acrilamida nos alimentos aumenta potencialmente o risco de desenvolver cancro, em consumidores de todos os grupos etários".
A acrilamida é um composto que se forma durante o aquecimento de certos alimentos a temperaturas elevadas e que faz os alimentos ficarem "tostados", podendo originar no organismo a glicidamida, um composto genotóxico, que altera o ADN, com consequente risco para o aparecimento de células neoplásicas e por último o aparecimento do tumor, explica a Ordem dos Nutricionistas.
Em causa estão alimentos cozinhados a altas temperaturas, como o pão, as batatas fritas, os biscoitos, as bolachas, o café ou algumas papas para bebés, que são importantes fontes alimentares de acrilamida.
“Quando torramos demasiado o pão e ele adquire uma tonalidade excessivamente escurecida, forma-se a acrilamida, um composto derivado da exposição excessiva a temperaturas elevadas de alguns hidratos de carbono presentes no pão”, explica a Bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento.
Sobre os fritos, a especialista esclarece que “são cozinhados a temperaturas superiores a 100ºC ou 120ºC e por isso é importante que se controle o tempo que permanecem em fritura, precisamente porque a acrilamida se forma a partir do momento em que começam a ficar excessivamente tostados”.
Estando presentes em alimentos com asparagina e açúcares redutores tais como as batatas fritas, os bolos, o pão e algumas comidas indicadas para bebés, as crianças são as mais expostas à sua ingestão, sendo também mais vulneráveis devido à sua massa corporal.
No entanto, no que toca às refeições para os bebés, a EFSA esclarece que apenas devem ser evitadas os que contêm cereais processados.

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