Nunca se esteve tão perto de erradicar a malária

A erradicação da malária no mundo nunca esteve tão perto como atualmente, mas o caminho a percorrer é “ainda imenso” e é preciso evitar que se cruzem os braços face ao sucesso já alcançado, afirmou um investigador português.
créditos: AFP

Numa entrevista à agência Lusa, Henrique Silveira, investigador do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) de Portugal, comentava os resultados do recente relatório conjunto da OMS e UNICEF, divulgado a 17 deste mês, que indicou que a taxa de mortalidade da malária baixou 60% desde 2000, embora existam ainda 3.000 milhões de pessoas em risco de contrair a doença.

Segundo o documento, a queda de mortalidade traduziu-se por 6,2 milhões de vidas poupadas nos últimos 15 anos, perto de seis milhões dos quais são crianças menores de cinco anos, o grupo mais vulnerável à malária, maioritariamente na África subsaariana.

"Nunca estivemos tão próximo (de acabar com a malária), mas o caminho a percorrer ainda é gigante. E a grande mensagem do relatório é essa. Nos últimos 15 anos tivemos um grande sucesso, mas não podemos agora cruzar os braços e deixar as coisas a rolar. Temos de continuar a manter o esforço para controlar a malária", disse.

"Há um grande caminho a percorrer, que é desigual. Onde existem recursos para combater a malária não há a doença e onde não existem recursos é onde a doença está concentrada", observou Henrique Silveira, 49 anos, natural de Ponta Delgada (Açores).

Segundo o investigador, formado no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), com pós-graduações no Imperial College e no London School, ambos em Londres, o combate à doença também conhecida por paludismo terá sempre de ser multidisciplinar, pelo que procurar uma vacina, por exemplo, não será suficiente.

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