Número de celíacos aumenta mas comida sem glúten custa mais do dobro

Produtos sem glúten chega a custar mais 300% do que um produto normal
15 de maio de 2014 - 08h44



O número de portugueses que não podem ingerir glúten está a aumentar e a associação de celíacos considera imprescindível diversificar a alimentação, mas a comida isenta desta proteína dos cereais custa mais do dobro da "normal".



Um cabaz com vários produtos "proibidos" a quem não pode consumir glúten, elaborado pela agência Lusa a propósito do dia internacional dos celíacos - que se assinala na sexta-feira -, mostra que, em média, os alimentos custam 132% mais do que se tiverem essa proteína.



O cabaz inclui um pacote de bolachas, farinha para pão, farinha, massa, esparguete, pão de forma, cereais e queques, sendo que dois destes produtos custam mais do triplo no cabaz apto para doentes celíacos.



Um pacote de farinha “normal” selecionado pela Lusa custa 0,83 euros, enquanto um sem glúten fica por 3,07 euros, ou seja, mais 269%.



No caso do esparguete, um pacote “normal” ronda os 0,58 euros, menos 265% do que os 2,12 euros que custa uma embalagem deste alimento para celíacos.



“Há produtos em que se pode atingir três vezes a diferença de preço”, explicou à Lusa Mafalda Carvalho, presidente da Associação Portuguesa de Celíacos (APC), lembrando que há “uma panóplia de coisas” que se podem comer exatamente iguais à alimentação de uma pessoa não intolerante.



Mafalda Carvalho adiantou que focar a atenção no preço de um cabaz de produtos sem glúten pode ser “desmotivador” para um celíaco e defendeu que, para ultrapassar a situação, deve fazer-se alimentação saudável e variada.



“Não precisamos de estar todos dos dias a comer massas ou fazer bolos sem glúten. Podemos comer peixe, arroz, carne, fruta, legumes, leguminosas, como qualquer outra pessoa”, sublinhou.



A Doença Celíaca (DC) é uma doença autoimune crónica, que afeta indivíduos com predisposição genética, causada pela permanente sensibilidade ao glúten que, ao ser ingerido, provoca lesões na mucosa do intestino e origina uma diminuição da capacidade de absorção dos nutrientes.

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