Nove funcionários públicos morrem com cancro por causa de instalações com amianto

Trabalhadores da Direção-Geral de Energia e Geologia em Lisboa pedem mudança imediata de instalações
31 de janeiro de 2014 - 11h11



Nove funcionários da Direção-Geral de Energia e Geologia morreram vítimas de cancro, doença que terá sido provocada pela exposição prolongada a ambiente com amianto nas instalações deste organismo, na Avenida 5 de Outubro em Lisboa.



A notícia é avançada pela rádio TSF que informa que há mais dez colegas que também adoeceram com cancro. Os testes realizados nas instalações foram analisados por médicos alemães que confirmaram que a doença "terá sido provocada por exposição prolongada a ambiente com amianto".



Os trabalhadores da Direção-Geral de Energia e Geologia pedem a mudança urgente de instalações. De acordo com a TSF, em causa está a existência de amianto no prédio da Avenida 5 de Outubro, em Lisboa.



Nestas circunstâncias, os 70 trabalhadores da Direção de Energia e Geologia pedem em carta a mudança urgente. O documento fala em 19 funcionários "que adoeceram com cancro", nove dos quais já morreram. O caso foi denunciado por cerca 70 trabalhadores.



O governo já confirmou a existência de amianto e que o prédio não tem condições, faltando a autorização do ministério das Finanças para concretizar a mudança.



O secretário de Estado da energia confirma que o processo está em curso, mas Artur Trindade diz também que é necessário encontrar um local com uma renda mais baixa do que a atual.



Em outubro, a Quercus enviou à Comissão Europeia uma denúncia contra o Governo português pelo incumprimento na identificação dos riscos da exposição ao amianto para os seus trabalhadores.




A utilização de materiais com amianto na construção foi proibida a partir dos anos 90 e a sua remoção obedece a regras específicas, algumas delas visando a defesa da saúde dos próprios trabalhadores a realizar as obras.



Na mesma altura, o Governo português garantiu que os ministérios estariam a proceder ao levantamento de edifícios, instalações e equipamentos públicos que continham o material considerado altamente cancerígeno.



SAPO Saúde

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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