Ministério da Saúde quer "plataforma de compromisso" para evitar greve de enfermeiros

SEP diz que paralisação pode ser desconvocada se Ministério responder positivamente às exigências

5 de setembro de 2014 - 13h30

O Ministério da Saúde quer encontrar “uma plataforma de compromisso” com os enfermeiros para evitar a realização da greve nacional marcada para dias 24 e 25 deste mês.

“Vamos ouvir com atenção o que são os desejos dos enfermeiros, com certeza conseguiremos encontrar uma plataforma de compromisso. É nosso desejo que a greve não aconteça”, afirmou hoje aos jornalistas o secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa, à margem de uma cerimónia no Instituto Português do Sangue e da Transplantação, em Lisboa.

Contudo, o governante avisou que é necessário “perceber se algumas das exigências são compagináveis com as possibilidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS) neste momento”.

“Entendemos que as greves são sempre um prejuízo grande para os utentes e são sempre os mais desfavorecidos que mais sofrem, porque são esses que não têm alternativa que não seja vir ao SNS”, acrescentou.

A paralisação convocada pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses tem como objetivos centrais lutar contra a exaustão dos profissionais e exigir a contratação de mais profissionais, entre outras reivindicações ligadas ao número de horas de trabalho e à carreira de enfermagem.

Sobre o recrutamento, Leal da Costa afirmou que o Ministério está disposto a “continuar a contratar”, lembrando que o processo de contratação tem questões burocráticas que atrasam por vezes a entrada de profissionais.

“Vamos ter de avaliar junto de cada hospital quais as necessidades e contrataremos todos os que foram necessários para que o SNS tenha um desempenho ótimo”, declarou, lembrando que está já a decorrer um concurso para mais de 400 enfermeiros.

Na quinta-feira, em conferência de imprensa, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) apontou para uma “grave carência de profissionais”, que provoca processos de exaustão.

Para exigir ainda uma valorização da profissão, as 35 horas semanais de trabalho para todos, a progressão na carreira e a reposição do valor das horas suplementares e noturnas, o sindicato decidiu agendar dois dias de greve nacional que, no dia 25, coincidirá com uma concentração junto ao Ministério da Saúde, em Lisboa.

O presidente do SEP, José Carlos Martins, admitiu, contudo, que a paralisação pode ser desconvocada se, na reunião de dia 17 de setembro, o Ministério da Saúde responder positivamente à globalidade das exigências.

Por Lusa

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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