Ministério da Saúde lamenta "banalização da greve"

Sindicalistas dizem que seriam precisos mais 25 mil enfermeiros no Serviço Nacional de Saúde
23 de setembro de 2014 - 14h38



O Ministério da Saúde lamentou hoje o que considera ser a “banalização da greve”, a propósito da paralisação nacional dos enfermeiros marcada para quarta e quinta-feira.



“O Ministério da Saúde reafirma que lamenta a banalização da greve e o facto de, novamente, esta prejudicar apenas os utentes do Serviço Nacional de Saúde, que não têm quaisquer alternativas ao serviço público. Trata-se de uma contradição insanável: a anunciada paralisação poupa, de novo, os setores privado e o social, e afeta afinal o setor que o Sindicato diz querer defender”, refere fonte oficial do Ministério, num comentário escrita enviado à agência Lusa.



O Ministério considerou ainda que as declarações feitas hoje pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses “não estão em sintonia com o compromisso explicitado” na segunda-feira pelo Ministério da Saúde “e que foi de autorização de contratação de mais de 1700 enfermeiros no período de outubro de 2014 a outubro de 2015”.






Após uma reunião na segunda-feira com o Ministério da Saúde, os enfermeiros decidiram manter dois dias de greve nacional para quarta e quinta-feira dois dias de greve nacional, um protesto que visa essencialmente lutar contra a “grave carência” de profissionais nas unidades públicas de saúde e pela dignificação da profissão e da carreira de enfermagem.



Nas contas dos sindicalistas, seriam precisos mais 25 mil enfermeiros no Serviço Nacional de Saúde, a juntar aos cerca de 39 mil existentes nos serviços públicos.



“A quase totalidade dos enfermeiros faz entre 48 a 56 horas por semana, está impedida de gozar as folgas que a lei impõe e não se perspetiva quando poderão gozar os milhares de dias em dívida", refere hoje o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) num comunicado.



Ainda sobre as razões para os dois dias de greve nacional, Guadalupe Simões frisou que há “em todos os hospitais milhares de dias em dívida” aos enfermeiros, devido a folgas por gozar, que criam “processos de exaustão”.



A paralisação serve precisamente para contestar esta situação e lutar pela contratação de mais enfermeiros.



O SEP exige ainda uma valorização da profissão, as 35 horas semanais de trabalho para todos, a progressão na carreira e a reposição do valor das horas suplementares e noturnas.



Por Lusa
artigo do parceiro: Nuno de Noronha

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