Meia centena de doentes com Hepatite C manifestam-se junto ao parlamento

Cerca de meia centena de doentes com hepatite C e seus familiares concentraram-se hoje frente à Assembleia da República para exigir acesso imediato aos tratamentos que permitam salvar quem está em risco de vida.
créditos: TIAGO PETINGA/LUSA

Organizado pela recém-formada Plataforma Hepatite C, a concentração contou também com o apoio da associação de doentes SOS Hepatites e ainda de outros doentes a título individual.

A Plataforma exige ao Ministério da Saúde que trate até ao final do ano as 5.000 pessoas mais doentes e em maior risco de progressão para doença grave.

Em causa está a dificuldade de acesso ao medicamento inovador Sofosbuvir, que atualmente só é administrado nos hospitais através de autorização de utilização especial (AUE), processo moroso que por vezes pode custar a vida ao doente, como aconteceu recentemente com uma mulher, cujo filho foi assistir hoje à audição do ministro da Saúde no Parlamento.

O Ministério da Saúde tem estado a negociar com o laboratório que fabrica o Sofosbuvir, para conseguir um abaixamento do preço daquele tratamento que neste momento custa mais de 40 mil euros por doente, o que significaria uma despesa do Estado superior a 200 milhões de euros para tratar os doentes mais urgentes.

Emília Rodrigues, do SOS Hepatites, salientou, em declarações à agência Lusa, que este foi apenas mais um caso dos vários doentes que têm morrido com esta doença, mas cujos familiares não têm dado a cara.

Só no ano passado morreram sete pessoas associadas da SOS Hepatites, fora as que morrem nas urgências, disse Emília Rodrigues, acrescentando que no ano passado o Ministério da Saúde prometeu tratamento para 150 doentes até final de dezembro e foram feitos apenas 35.

“Até agora já foram tratados 60”, acrescentou a responsável da SOS Hepatites, sublinhando que “há vários doentes à espera do medicamento desde maio. São casos em estádio muito avançado e que neste momento vão começar morrer”.

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