Médicos criticam descida do preço do tabaco

Médicos cardiologistas consideram que a descida de dez cêntimos no preço dos maços de tabaco é uma medida que vai favorecer o "início do consumo nos jovens e potenciar o aumento do consumo dos atuais fumadores".
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A empresa que domina 63% do setor do tabaco em Portugal, a Tabaqueira, anunciou esta semana que vai aproximar os preços dos maços de tabaco daqueles que existiam antes do aumento de impostos previsto no último orçamento do Estado.

Para o médico Miguel Mendes, presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia e médico cardiologista, esta medida é "promotora do consumo de tabaco, em contradição com todo o caminho já percorrido no sentido de erradicar o hábito de fumar".

"Se, recentemente, passaram a ser utilizadas imagens chocantes nos maços de tabaco com o intuito de dissuadir a experimentação e o uso do tabaco, a medida que prevê a diminuição do preço do tabaco, embora pequena, vai favorecer o início do consumo nos jovens e potenciar o aumento do consumo dos atuais fumadores", afirma Miguel Mendes.

"Não há qualquer justificação para ziguezagues da orientação" adverte o cardiologista, lembrando ainda que o tabagismo provoca doenças cardiovasculares, cancro e doença pulmonar obstrutiva crónica e tem elevados custos para a Saúde, em termos pessoais, sociais e financeiros.

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Fumar constitui um importante fator de risco para doenças pulmonares e cardiovasculares graves, como o cancro do pulmão e o enfarte do miocárdio.

Estima-se que cerca de 30 por cento da morte cardiovascular esteja na direta dependência do tabaco, de acordo com a Sociedade Portuguesa de Cardiologia.

O fumo do tabaco contém mais de 4000 substâncias químicas, várias das quais com efeitos tóxicos, irritantes ou cancerígenos. A nicotina é uma dessas substâncias, sendo ela a droga psicoativa responsável pela dependência provocada pelo tabaco.

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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