Malária é ainda preocupante, mas panorama é o melhor de sempre

600 mil crianças morrem todos os anos devido à malária.

23 de junho de 2014 - 09h30

O panorama mundial da malária é "ainda muito preocupante", mas a situação está "melhor do que alguma vez foi", disse hoje à agência Lusa a investigadora portuguesa Maria Manuel Mota. A cientista portuguesa, que se encontra na capital de Cabo Verde para uma série de conferências sobre a temática da malária, em que é especialista, argumentou que os avanços registados nos últimos anos têm permitido diminuir para cerca de 500 milhões de novos casos de infeção.

"É um panorama muito preocupante ainda, porque temos 600 mil crianças que morrem todos os anos devido à malária, mas também posso dizer que o panorama é melhor do que alguma vez foi, porque nos últimos 10 anos, os fundos que foram proporcionados para estudar e investigar foram bastante aumentados", afirmou.

"Há cada vez mais cabeças pensantes e, como consequência, a probabilidade de alcançarmos uma estratégia que seja racional para o combate à doença é maior. Estou otimista, mas também sei que não haverá uma solução para já, que não é um problema que se consiga resolver nos próximos cinco anos", acrescentou Maria Mota.

Estratégia internacional
precisa-se

A investigadora, 43 anos, vencedora do Prémio Pessoa, licenciada em Biologia, mestre em Imunologia pela Universidade do Porto, doutorada em Parasitologia Molecular pela University College, de Londres, afirmou que o caminho a seguir para debelar a doença passa pela criação de uma estratégia comum internacional.

"Já houve muitos inseticidas usados e muito está a ser feito. O problema é que sabemos que, depois, isso não é sustentável porque, ecologicamente, não são bons, ou, quando são usados, não têm eficácia a longo prazo, pois os mosquitos portadores do parasita acabam sempre por arranjar resistências, o que é preocupante", explicou.

"Em termos de uma vacina, há uma prestes a sair, mas que é muito pouco eficaz, tem apenas 30% de eficácia, pelo que ninguém está convencido de que vai resolver o problema. O caminho a seguir é desenvolver novas estratégias, é tentar encontrar novas vacinas e fármacos, tentar várias vias até que algum funcione", sublinhou.

Comentários