Jovens portugueses pouco predispostos a doar gâmetas, embora concordem com técnica

No estudo participaram 1.532 jovens, com idades entre os 14 e os 22 anos

2 de outubro de 2013 - 15h55

Um estudo inédito sobre o recurso a gâmetas de dadores, que envolveu mais de 1.500 adolescentes, revelou que os jovens portugueses estão pouco predispostos a doarem óvulos e espermatozoides, apesar de aceitarem esta técnica.

“Doação de gâmetas: atitudes e predisposição para o uso e recuso nos adolescentes portugueses” é uma investigação da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação e da Faculdade de Ciências, da Universidade do Porto, que será divulgada no 5º Congresso Português de Medicina da Reprodução, que começa quinta-feira, na Figueira da Foz.

No estudo participaram 1.532 jovens (941 mulheres e 591 homens), com idades entre os 14 e os 22 anos e a frequentar o ensino secundário público.

“Os adolescentes portugueses apoiam a doação de gâmetas para a Procriação Medicamente Assistida (PMA), a comparticipação pelo Estado para o recurso a estas técnicas, e o anonimato dos dadores”, lê-se nas conclusões do estudo.

Apesar disso, “os resultados revelaram uma baixa predisposição dos adolescentes, quer para recorrer no futuro a dadores de gâmetas caso necessitem, quer para serem dadores”.

Mariana Veloso Martins, da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, é uma das autoras do estudo e disse à agência Lusa que, apesar dos adolescentes portugueses apoiarem a doação de gâmetas e perceberem que é necessário os casais recorrerem a ela, esta “é uma realidade ainda muito distante para eles”.

“Eles entendem o desejo dos casais quererem um filho e concordam com o apoio do Estado a estas técnicas, mas não revelam predisposição nenhuma para recorrer a elas nem revelam qualquer predisposição para serem dadores”, adiantou.

Por estas razões, Mariana Veloso Martins considera que “não é realista esperar que imirja uma cultura de doações altruístas em Portugal se nada for feito para que haja uma maior motivação por parte dos jovens, que são o principal alvo do banco público de gâmetas, uma vez que são os que têm maior qualidade de espermatozoides e ovócitos”.

De acordo com as conclusões do estudo, “tanto os rapazes como as raparigas discordam da utilização desta técnica em casais homossexuais e para fins de seleção (como de género ou raça) e da manipulação para investigação científica”.

Os autores do estudo defendem que a educação sexual inclua a prevenção da infertilidade e as implicações do recurso a dadores (à semelhança da adoção), assim como um maior empenho ao nível de campanhas e programas de ação que possam levar os jovens a serem dadores de espermatozoides e óvulos.

Lusa

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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