Jovens com deficiência protagonizam peças de teatro nos bairros do Porto

Jovens com deficiência mental tornaram-se atores e, encenando uma história de amor entre um príncipe e uma princesa, arrancaram entusiásticos aplausos aos habitantes de um bairro social do Porto, num projeto da Associação Espaço T.
créditos: LUSA/Andre Kosters

Os atores, atentos às indicações da encenadora, entraram em cena num palco improvisado, com roupa e alguns adereços feitos por si e, durante meia hora, perante um público de miúdos e graúdos, contaram a história de um príncipe “bonito e simpático” que, para ficar com a princesa, teve de enfrentar e matar um tubarão.

A Associação para Apoio à Integração Social e Comunitária Espaço T, da qual os jovens são alunos, está a promover a iniciativa “Palcos para a Inclusão”, realizando em todos os bairros sociais do Porto espetáculos teatrais, de dança, de música ou de pintura, feitos por pessoas idosas, com deficiências ou problemas de toxicodependência, com o objetivo de divulgar a cultura e potenciar atitudes inclusivas.

Este grupo de alunos, com Trissomia 21 e idades entre os 25 e 40 anos, ensaiou durante seis meses para, agora, levar a peça teatral “Sharknado”, com príncipes, princesas, reis, tubarões, tornados, sereias ou peixinhos, aos habitantes dos bairros.

“A história foi toda escrita por eles. Jogamos à jenga [jogo de habilidade física e mental] que consiste em tirar blocos de uma torre de madeira e, à medida que iam tirando, iam construindo a história e, quando a torre caiu, terminou a história”, disse hoje à Lusa a encenadora da peça de teatro, Joana Teixeira.

A também dinamizadora do grupo frisou que “qualquer pessoa” tem as suas limitações, por isso, o principal trunfo para trabalhar com estes alunos é percebe-los, cativa-los, entender a sua imaginação e, a partir do momento em que isso se consegue, é fácil criar produtos artísticos, afirmou.

Um dos atores, Carlos, de 34 anos, contou que a história se chama “Sharknado”, nome de um dos filmes mais comentados nas redes sociais em 2013, porque envolve um tornado e um tubarão.

“No final, o príncipe matou o tubarão porque era obrigação dele para ficar com a princesa e viveram felizes”, explicou.

No decorrer da peça teatral, a cena do beijinho entre o príncipe e a princesa ou a dança da valsa provocaram sorrisos entre o público e comentários como “aí que engraçados”.

O diretor do Espaço T, Jorge Oliveira, adiantou à Lusa que o projeto “Palcos para a Inclusão”, com duração de um ano e meio, só termina em abril de 2016 e vai chegar aos 40 bairros sociais do Porto.

Os espetáculos são feitos nas associações, juntas de freguesia ou espaços sociais dos bairros, realçou.

“O objetivo é humanizar os bairros e fazer com as pessoas que lá vivem percebam que há pessoas diferentes que os conseguem impressionar e mostrar histórias de vida engraçadas”, frisou.

Jorge Oliveira realçou que a Câmara do Porto pagou 30 mil euros pela iniciativa, mas a realização de um estudo social demonstrou que o retorno social por cada euro investido é de 4.2 euros.

“Queremos humanizar mais os bairros sob o ‘slogan’ os bairros têm casas e as casas têm gente, criando hábitos de inclusão”, frisou.

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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