Investigadores portugueses modificam parasita da malária em busca de vacina

Ideia pretende que o próprio corpo humano passe a combater o vírus através de vacina

20 de novembro de 2013 - 16h11

Uma equipa de investigadores portugueses modificou geneticamente parasitas da malária em roedores para estes obrigarem o sistema imunitário humano a combater o parasita em pessoas e vão receber 1,2 milhões de dólares da Fundação Gates para testar a descoberta.

Miguel Prudêncio, investigador do Instituto de Medicina Molecular (IMM) e responsável pela pesquisa, disse à agência Lusa que o projeto começou há três anos, altura em que obteve um financiamento de 100 mil dólares para demonstrar a ideia, que visa obter uma vacina contra a malária.

Este financiamento da Fundação Bill & Melinda Gates permitiu à equipa fundamentar a investigação, demonstrando, nomeadamente, que o parasita de roedores tinha a capacidade de infetar as células de fígado humano, fase necessária para gerar imunidade.

Ao nível da segurança, avançou Miguel Prudêncio, a equipa provou que “o parasita é seguro para usar em seres humanos, porque não tem a capacidade de completar o seu ciclo de vida dentro dos glóbulos vermelhos humanos”.

Para demonstrar a eficácia da ideia, os investigadores mostraram que “o tal parasita de roedores geneticamente modificado para expressar uma proteína de um parasita que infeta humanos tinha a capacidade de espoletar uma resposta imunitária capaz de identificar e reconhecer o parasita humano e capaz de inibir a infeção pelo parasita humano”.

Estas provas permitiram à equipa avançar para a Fase II do programa Grand Challenges Explorations (GCE) e obter um financiamento de 1.218 mil dólares por um período de um ano.

O financiamento será aplicado na realização de experiências pré-clínicas e no desenvolvimento do processo regulatório com vista à obtenção de autorização para o início de ensaios clínicos em humanos para a vacina da malária, a realizar na Holanda.

“O que fizemos até aqui são ensaios pré-clínicos (laboratoriais, com modelos animais ou células em cultura). O que pretendemos agora é avançar para ensaios em seres humanos e este financiamento vem neste sentido. Não é para começar já os ensaios humanos, mas obter as condições necessárias para avançar com os ensaios clínicos”.

Os ensaios deverão realizar-se na Holanda, num “centro com grande experiência nestes centros experimentais” e em voluntários saudáveis (holandeses).

Lusa

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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