Investigador acredita em cura para surdez dentro de dez anos

Investigador revela que um rato surdo começou a ouvir após o transplante de neurónios auditivos
13 de setembro de 2013 - 14h44



O médico argentino Marcelo Rivolta, chefe de um grupo de investigação de problemas auditivos da Universidade de Sheffield, Reino Unido, calcula que a surdez ter cura dentro de uma década com recurso a células estaminais.



Rivolta, que participa num congresso mundial de patologias do ouvido em Alcalá de Henares, arredores de Madrid, disse à EFE que são precisos dez anos de investigação com testes em animais de laboratório antes de avançar para humanos.



O investigador revelou que um rato surdo começou a ouvir após o transplante de neurónios auditivos criados em laboratório.



Os progressos em relação ao projeto estão a ser desenvolvidos na Universidade de Sheffileld e serão comunicados hoje num congresso mundial que reúne mais de 180 especialista em questões de audição, em Alcalá de Henares.



“A minha exposição vai centrar-se nas explicações sobre a produção de células auditivas – cuja regeneração não é possível quando afetadas – a partir de células embrionárias para posterior transplante no ouvido, um processo que passa pela desconstrução para posterior construção em tubo de ensaio”, explicou.



Marcelo Rivolta vai também referir-se ao caminho que falta percorrer para que a terapia se aplique em casos de surdez provocada por envelhecimento, que afeta, na Europa, 40 por cento da população com mais de 65 anos.



“Sobre a possível terapia, há coisas muito importantes que ainda não conhecemos: o que é que se pode passar, a longo prazo, com as células auditivas que criamos e transplantamos para o ouvido? Essas células mantêm-se? São totalmente seguras ou podem provocar tumores ou outros problemas” - questiona o investigador argentino.



As dúvidas sobre o tratamento devem dissipar-se com a realização de mais experiências durante os próximos dez anos, com a partilha de informação e a ajuda de outros investigadores.



“As descobertas científicas têm as suas dinâmicas próprias e isso é muito difícil de mudar”, afirmou referindo-se a outras áreas de interesse no campo da investigação médica.



“A investigação sobre a audição compete com outras, em teoria, mais importantes, como a investigação sobre o cancro ou outras doenças terminais”, afirmou.



Mesmo assim, a dimensão da população afetada pelos problemas auditivos é muito elevada e as complicações consideráveis no quotidiano, como a dificuldade das crianças na aprendizagem da língua ou casos de integração social no caso dos adultos, acrescentou o cientista.



Lusa


artigo do parceiro: Nuno Noronha

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