Instituto de Medicina Legal diz que faltam especialistas

O vice-presidente do Instituto Nacional de Medicina Legal (INML), João Pinheiro, afirmou hoje em Coimbra que não há médicos legistas em número suficiente para cobrir todo o território nacional.

Na realização de perícias, Portugal não tem médicos legistas "em número suficiente", tendo que recorrer à prestação de serviços, com médicos sem essa especialidade, referiu João Pinheiro, assegurando que "dentro de alguns anos" o quadro estará completo.

"A especialidade é recente e ainda não conseguimos cobrir as necessidades do país", apesar de haver agora "um grande interesse" na especialidade, explanou, acrescentando que estão de momento "com dificuldade" em aceitar todos os internos face ao aumento da procura de formação em medicina legal.

Apesar disso, todos os gabinetes médico-legais, com a exceção dos Açores, já são coordenados por médicos-legistas.

João Pinheiro salientou ainda a necessidade de os jovens especialistas do INML poderem integrar missões internacionais, considerando que a participação nessas missões é uma "grande escola da medicina legal".

O acesso a essas missões, apesar de não apresentar custos para o instituto, era "limitado", pretendendo-se agora apostar na participação em missões, também como uma "forma de motivar os profissionais".

O responsável falava durante a conferência de imprensa de apresentação da I Conferência do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, que conta já com mais de 360 participantes inscritos.

O evento, que decorre a 30 e 31 de outubro, em Coimbra, vai receber cerca de 120 trabalhos (40 comunicações orais e 80 posters) e quatro conferências, procurando ser um espaço "de intercâmbio" de conhecimento científico, sublinhou o vice-presidente do INML.

Uma conferência que se quer "multidisciplinar" por a própria medicina legal ser "um mundo muito amplo que engloba muitas disciplinas", explanou, avançando que na iniciativa serão abordados temas como "desastres de massa", "violência doméstica" em múltiplos contextos, como a vítima homem, ou a violência na terceira idade, a sinistralidade rodoviária associada às drogas e álcool e os vários processos entre o crime e a sentença.

A conferência pretende-se realizar anualmente, na última quinta e sexta-feira do mês de outubro, sendo que os temas irão variar de ano para ano.

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