Inspeção da Saúde investiga dados de utentes expostos na Internet

O ministro da Saúde pediu a intervenção da Inspeção-geral da Saúde para apurar responsabilidades no caso da divulgação de dados de 230 mil utentes dos Açores na internet, não descartando a necessidade de o Ministério Público intervir.
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"É totalmente inaceitável", declarou Adalberto Campos Fernandes quando questionado pelo PSD na comissão parlamentar de Saúde. A revista Exame Informática noticiou que dados de quase todos os habitantes dos Açores estiveram expostos no 'site' da Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo.

"O ficheiro tinha o nome 'Exportação Utentes SRSA para Reembolsos'. Quem o descobria na Internet tinha uma surpresa: numa grelha Excel estão os dados discriminados de mais de 230 mil habitantes dos Açores", incluindo "nomes completos, número fiscal e de utente dos serviços de saúde regionais, moradas, datas de nascimento e números de telefone e/ou telemóveis", indicou a revista.

No seguimento desta notícia, os deputados do PSD eleitos pelo círculo dos Açores na Assembleia da República exigiram explicações ao ministro da Saúde sobre esta “divulgação ilegal”.

Adalberto Campos Fernandes disse esta quarta-feira (15/03), na comissão parlamentar da Saúde, que foi pedida a intervenção da Inspeção-geral das Atividades em Saúde (IGAS) e, se necessária, a do Ministério Público "para se apurar responsabilidades" no caso.

Caso aconteceu há quase três anos

O ministro adiantou que se tratou de um episódio que ocorreu em 2014 e que "esteve oculto" até agora.

Ontem, o ministro da Saúde já tinha classificado o caso como “absolutamente inaceitável”, defendendo o apuramento de responsabilidades “com todo o rigor”.

Na segunda-feira, a empresa pública Saudaçor, que gere os recursos e equipamentos de saúde dos Açores, revelou que vai remeter ao Ministério Público o processo relativo à utilização indevida de um ficheiro com dados de 230 mil utentes da região. "O passo seguinte é remeter todo este processo ao Ministério Público para eventual procedimento criminal", afirmou a presidente da Saudaçor, Luísa Melo Alves.

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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