Ingerir menos calorias pode ser a chave da longevidade

Restrição calórica favorece a expansão da flora bacteriana saudável combatendo bactérias nocivas
17 de julho de 2013 – 11h16



Restringir a quantidade de alimentos ingeridos pode prolongar a vida, segundo as conclusões de uma equipa de cientistas chineses que acabam de publicar um estudo na revista científica Nature Communications.



A equipa da Universidade de Jiao Tong, em Xangai, fez uma série de experiências em 150 ratinhos ao longo de três anos e concluiu que foi possível estabelecer uma relação entre comer pouco e viver mais tempo nos ratinhos que foram sujeitos a uma restrição calórica diariamente.



Zhao Liping, coordenador do estudo da Escola de Biotecnologia e Ciências da Vida da universidade chinesa, em declarações ao jornal Shanghai Daily, citado pela Lusa, adiantou que as conclusões se podem aplicar a outros animais e também a humanos – ainda que sejam necessárias investigações adicionais. As experiências decorreram apenas em ratinhos machos.



De acordo com o cientista, a restrição calórica favorece a expansão da flora bacteriana saudável presente no sistema digestivo, nomeadamente os lactobacilos, o que ajuda a combater e a reduzir o número de bactérias nocivas para o organismo. Zhao assegura que estas bactérias “boas” são um elemento determinante na saúde e tempo de vida.



“A restrição de calorias é o único regime experimental que pode alargar de maneira eficaz o tempo de vida em vários modelos de animais, mas o mecanismo que torna isso possível continua a ser controverso”, refere o artigo.



“Os microbióticos do intestino mostraram que têm um papel pivô na saúde do hospedeiro e que a sua estrutura é sobretudo formada pela dieta. Com este estudo mostramos que uma dieta prolongada de restrição calórica tanto com muita como com pouca gordura, mas sem exercício voluntário, muda significativamente toda a estrutura dos microbióticos”, lê-se no estudo.



Os ratinhos que foram sujeitos a uma dieta com cerca de menos 30% de calorias mostraram também uma redução de uma toxina associada a inflamações, a lipopolissacarídeo. Dados prévios em humanos já mostravam diferenças nas bactérias de quem tem uma dieta ocidental moderna ou mais rural.



O estudo traz dados novos para outras investigações que estão a ser feitas na área da obesidade, causas e efeitos, assim como em outras doenças do metabolismo.



SAPO Saúde
artigo do parceiro: Nuno Noronha

Comentários