Idosos não gostam de viver sozinhos e muitos não têm apoios

Estudo recorda que quanto mais velha é a pessoa, menor é o agregado e o apoio da família e amigos
17 de junho de 2014 - 15h11



Mais de metade dos seniores inquiridos num estudo que tentou perceber quem são os “idosos de hoje” confessam não gostar de viver sozinhos e um terço diz que vive sem “qualquer tipo de apoio”.



O estudo “Novos idosos, idosos novos”, realizado pelo Centro de Investigação Interdisciplinar e Intervenção Comunitária do Instituto Superior de Ciências Empresariais e do Turismo (ISCET), teve como principal objetivo saber quem são os idosos de hoje, do que gostam e como vivem.



Os autores do estudo explicam que estas questões “permitem compreender esta fase da vida e ainda ajustar as respostas e intervenções sociais no sentido de proporcionar níveis compatíveis de bem-estar e felicidade” a esta população.



O inquérito envolveu 100 idosos residentes em Cedofeita, no Porto, mas o estudo ressalva que, tendo conta que nesta freguesia residem 5.365 pessoas com 65 ou mais anos, segundo o Censos 2011, a amostra não é representativa da população.



Os dados preliminares do estudo, divulgados hoje no colóquio “Novos idosos, idosos novos”, no Porto, referem que 53% dos inquiridos não têm apoio da família, 78% não tem ajuda de amigos, 73% dos vizinhos e 33% dizem não ter qualquer tipo de apoio.



94% não tem apoios de instituições



A esmagadora maioria (94%) diz que não beneficia de apoio de uma instituição de solidariedade, uma situação que Fátima Vilela, uma das autoras do estudo, atribui ao facto de estes idosos ainda terem alguma autonomia e conseguirem gerir a sua vida.



Para o coordenador do estudo, Adalberto Carvalho, estes “números são alarmantes” e demonstram a solidão em que vivem os idosos.



“Estamos a lidar com uma amostra de apenas 100 pessoas, mas são indicadores que nos devem pôr em alerta”, disse Adalberto Carvalho, comentando que são estes idosos que ainda vivem nas suas casas que “passam despercebidos aos mecanismos de intervenção social”.



O estudo refere que quanto mais velha é a pessoa, “maior é a propensão para o agregado ser mais pequeno” e para a pessoa ter menos apoio da família e dos amigos.

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