Identificados dez edifícios escolares com amianto no distrito da Guarda

Amianto é uma substância cancerígena usada na construção e que está proibida por legislação
20 de fevereiro de 2014 - 15h11



Dez edifícios escolares do distrito da Guarda têm coberturas em fibrocimento que contêm amianto, denunciou hoje o Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC), que defende uma intervenção "urgente" do Governo.



Segundo Sofia Monteiro, da delegação distrital da Guarda do SPRC, a presença de amianto foi detetada em duas escolas do concelho de Pinhel, uma de Seia, em três estabelecimentos de ensino de Gouveia, dois de Trancoso, um de Celorico da Beira e outro de Mêda.



A situação verifica-se em sedes de agrupamentos, escolas secundárias e do primeiro ciclo do ensino básico e em um jardim-de-infância.



No concelho de Gouveia, que tem maior número de situações, o SPRC aponta a presença de amianto na escola de Vila Nova de Tazém, na Secundária e no jardim-de-infância de Gouveia.



A sindicalista referiu hoje à agência Lusa que a situação registada no distrito da Guarda "é de uma gravidade extrema, porque o que está em causa é a saúde pública".



"Estamos a falar não só das pessoas que lá trabalham, mas, sobretudo, de crianças e de jovens", acrescentou.



Na opinião de Sofia Monteiro, "o Estado tem de assumir de uma forma muito urgente a resolução" das situações registadas nos seis concelhos do distrito da Guarda, "tendo em conta a sua gravidade".



A responsável reconhece que o Governo não pode continuar a ter "a atitude que tem tido até ao momento de, perante os alertas feitos pelas escolas, ter considerado que não era um assunto prioritário".



"Quem tem que assumir a responsabilidade das intervenções, tem que ser o Ministério da Educação", sublinhou a dirigente do SPRC.



A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) admitiu recentemente apresentar queixa contra o Estado português junto das instâncias comunitárias, e avançar com uma ação em tribunal, por haver "centenas de escolas" ainda com amianto.



Em comunicado, a Fenprof garantiu que apresentará uma queixa na Comissão e no Parlamento europeus se até ao fim do mês "não estiverem assumidos compromissos pelos governos, da República e regionais, no sentido de dar cumprimento, não apenas à lei nacional, mas também às diretivas emitidas pela União Europeia".



Em causa está a não remoção de amianto nas escolas, uma substância cancerígena e que está proibida por legislação.



No comunicado, a federação lembra que a lei que impõe a remoção do amianto em locais públicos tem três anos e diz que o Governo "continua a desrespeitar o que estabelece a lei", o que pode implicar "graves prejuízos para a saúde de centenas de milhar de portugueses".



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

Comentários